segunda-feira, 15 de julho de 2013

VAIAS: GOVERNANÇA EM XEQUE

Sabe aquela velha e manjada frase de que é preciso engolir o sapo? Pois é, a Presidenta Dilma fez isso - e a seco. Nesta foto, juntamente com a ministra Ideli, os representantes das entidades municipalistas põem a prosa em dia. Nada como um dia após o outro. Os prefeitos reunidos, em sua maioria, vaiaram a Vossa Excelência no evento em que a Confederação Nacional dos Municípios - CNM chama de Marcha, em Brasília.


Para que todos entendam melhor as coisas, a vaia dos prefeitos se deu após a Sra. Dilma anunciar investimentos públicos nas cidades. Não foi o suficiente. Vejam o que foi apalavrado por ela:

Clique sobre a imagem e visualize-a melhor

Já li muita coisa sobre a baixa execução dos investimentos previstos e anunciados em pacotes passados pela mesma voz presidencial, já pesquisei e conclui sobre a terrível dificuldade dos ministérios em dar vazão aos recursos públicos disponíveis para execução de projetos, já vi simulações técnicas e balizamentos estatísticos comprovando que estamos atrasados em termos estruturantes em políticas públicas e déficit de gestão, enfim, mas não é sobre isso que quero falar - seria redundante.

Minha opinião é mais clínica. Ora, raciocinem comigo: se os prefeitos vaiam a presidenta do país, isso significa que a governança está em xeque. Não se trata de um problema pontual, é mais amplo. Como já relatei acima, estou ao lado da opinião coletiva de que a União arrecada muito e devolve quase nada em termos de qualidade nos serviços públicos. Ela já foi vaiada pelos mesmo prefeitos no mesmo evento, só que na edição anterior. Ela foi vaiada pelos brasileiros que estavam no estádio de futebol para o jogo inaugural da Copa das Confederações. A vaia lhe tem sido servida em pratos frios.

Os prefeitos extravasaram, e as lideranças das entidades representativas tentam pôr a bola no chão, e ninguém sabe exatamente onde isso vai parar. No fundo, a Sra. Dilma procurou isso. Ela criou benefícios tributários que caíram em cheio no colo dos prefeitos, pegou os royalties do petróleo e determinou onde tem que ser gasto ("investido", considerando o fato de que há gente séria no meio), criou o piso do magistério e afetou diretamente os cofres municipais, entre outras coisas. Ela andou provocando, por isso recebeu as vaias. Mas, reitero: o problema é maior, é de todos os governantes. 
-
20 horas    -     adelsonpimenta@ig.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário