segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

BANCAMOS A DESIGUALDADE...


De acordo com especialistas do iFHC, o setor público fica com 36,5% do PIB brasileiro. O Estado não investe sequer adequadamente em infraestrutura, os valores empreendidos não chegam a nem um terço desse percentual. O país alcançou elevado nível de produção, e escoa com extrema dificuldade essa riqueza material. Podia e devia investir mais. Talvez por intrincadas equações políticas sobre a gestão, pois o juro sobre a dívida interna, os gastos com pessoal e com a máquina administrativa consomem a maior parcela dos recursos, e tais investimentos não tem sido feitos na supressão da demanda. Na verdade, o chamado custo-Brasil devia ser chamado por custo-Governo. 

Números já são complexos quando misturados, ainda mais quando isso exige critérios de contabilidade e economia pública. Municipalista que sou - por convicção, segundo um estudo da Confederação Nacional dos Municípios - CNM, de tudo o que se arrecada no país, somente 6% vai para os municípios. A mesma entidade assegura que em 2012 praticamente 64% dos municípios brasileiros fecharam seu ano fiscal com pendências - e problemas nos Tribunais de Contas. A máquina pública federal continua arrecadando e inchando e ficando cada vez mais pesada, custosa, lenta e ineficaz, enquanto nos municípios a situação urbanística e social vai-se degringolando. Os governos estaduais vivem suas capitais e praticamente esquecem suas periferias e cidades interioranas.

Com conhecimento e capacidade - em termos de recursos humanos, não há estoque disponível no mercado. Quem está na iniciativa privada resiste à migrar para o público, salários e exposição de suas vidas privadas são levadas em conta; os partidos políticos perderam sua identidade ideológica e identificação política com o cidadão, hoje, boa parte dessas agremiações são muito mais uma colcha de retalhos fisiológica e estão infestadas de caciques, enquanto nas bases vivem no ostracismo ou fora de operação, encorpando-se nas eleições, e depois volta tudo como dantes no quartel de Abrantes. As cidades é que sofrem com isso, principalmente as de pequeno e médio porte, porque ao ganhar as eleições, não há quadros competentes para gerir as prefeituras.

Não bastasse o brasileiro ter de cobrir com seu suor a sanha dos maus gestores públicos, de governantes despreparados, ainda fica, em sua maioria, alheio das portas que se abrem no Brasil para o trabalho, por não ter o devido conhecimento, formação. Em termos práticos, bancamos o PIB, sustentamos a farra dos governos, e levamos de troco a precariedade e a falta de soluções nos serviços prestados, nos tornamos reféns de um país caro - já que é preciso buscar a qualidade oferecida pela iniciativa privada - onde estão os melhores serviços; e as oportunidades de trabalho bem remunerados na esfera pública ficam restritas a uma minoria que teve acesso diferenciado ao estudo. Bancamos a desigualdade, e o Governo faz a gestão desta.

É preciso que reflitamos cada vez mais sobre essa questão, que debatamos e que encontremos saídas mais igualitárias. Se somos os provedores da máquina pública, temos que ser também seu principal cliente, assim como devemos nos insurgir contra o caciquismo, ocupando espaços e disputando cargos eletivos. É preciso alternar o poder, oxigenar a coisa pública, atualizar a causa, estar e se fazer presente. É tudo nosso, mas tem sido dominado por poucos.
É o jogo!
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11h49min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br  

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA: LEITORA COMENTA

OPINIÃO DA LEITORA
( Por e-mail )
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Ref. Artigo: "Desmilitarização da Polícia"
Publicada em 18/11/13

Boa tarde, Adelson
Muito bom o seu artigo. 
Eu não acredito que seja possível desmilitarizar a polícia. Pode ser um fim, mas hoje parece algo extremamente distante da nossa realidade. A segurança pública está muito longe de ser apenas um problema da polícia, envolve diversos fatores, principalmente sociais. Portanto, a menos que se discuta com seriedade todos esses fatores e seja criada uma força tarefa para resolvê-los, considerando acima de tudo o ser humano que está nas ruas e não a imagem dos políticos que estão atrás de suas confortáveis mesas de escritório, blindados e com ar refrigerado, tirar o poder da polícia será um tremendo absurdo.


Nos tornaremos reféns dos bandidos. Ao contrário da polícia, que ainda obedece ordens, os bandidos não aceitarão de bom grado, mansamente, entregar as suas armas. Sou a favor da unificação das polícias Civil e Militar, mas com ambas armadas e bem treinadas. Aliás, eu acho que esse é exatamente o ponto a ser discutido e avaliado: A qualidade e o tempo de treinamento que são submetidos os nossos policiais. E mais, como é feito o acompanhamento das suas atividades nas ruas, dia a dia. Sobre as agressões ocorridas durante os protestos, que acredito terem sido a motivação de toda essa discussão, ressuscitando antigos casos de excessos da polícia, é preciso avaliar que não existe causa sem efeito.


Alguns participantes agiram como bandidos e mereceram uma ação mais dura da polícia. Não foram todos, é claro. Da mesma forma, não foram todos os policiais que agiram com ignorância e despreparado. Digo novamente que é preciso investir na polícia, treiná-la e equipá-la. Desmilitarizar? Só vai servir para enfraquecê-la. E quem precisa de uma polícia fraca? Fica a pergunta. É essa a minha humilde opinião.
Daniela, jornalista
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14h57min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA

 Um debate ainda insosso que mais mascara que ilumina,
que mais se impõe que dialoga

Começa a pipocar aqui e acolá conversas em separado, longe de ser dado como um debate posto de forma madura, democrática e plural nacionalmente, o que vem sendo chamado de "desmilitarização da polícia". Dada a sua importância, não tenho dúvida de que a discussão embrionária logo ganhará fóruns abertos país  adentro. Resolvi acessar parte importante do que está disposto sobre o assunto em termos de artigos, pesquisas e afins. Não há dúvida de que alguma coisa está sendo pedida - e envolve decisões políticas amadurecidas, mudança de conceito na administração pública e alterações na forma de gerir o arcabouço institucional de segurança pública do país. Decisões difíceis, diga-se.

Li o artigo de autoria do deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, sob a chamada: "Desmilitarização: há que se ter vontade política do Estado", publicado na edição n° 76 / Ano 7, na pág. 12 do 'Le Monde Diplomatique Brasil'. Aliás, li todos os outros trazidos à luz da mesma publicação, sendo também: "Os limites do modelo policial brasileiro contemporâneo", nas pág. 14 e 15, de autoria do Dr. Luis Antonio Francisco de Souza, professor universitário; outro: "Desmilitarizar as polícias: um bom começo", nas pág. 16 e 17, sob autorias institucionais - escrito a algumas mãos, cunhadas pelo DAR - Desentorpecendo a Razão, denominado como um colegiando de antiproibicionista de São Paulo, e Movimento Mães de Maio - combate a violência estatal; e, finalmente, "Desmilitarização: a reforma do modelo policial", nas pág. 18 e 19, de responsabilidade do antropólogo Luiz Eduardo Soares. Li e passo a acompanhar com reservado interesse as discussões e tramitação da PEC 51/2013 também, que trata do assunto.

Não é tarefa que se faça de maneira simplista - a de analisar os fatos em consciência crítica e ensaios técnicos e científicos, porque, dessa forma, os resultados serão sempre insatisfatórios. Mas, observei que os especialistas e demais autoridades que discutem o assunto até o momento, tomaram e tomam por base experiências isoladas - mesmo quando envolve grupos de pessoas, dados e estatísticas oficiais - normalmente recortados naquilo que lhes interessam ao embasamento de seus argumentos, invariavelmente rompantes e mais elucidações discursivas e ideologizadas que práticas, com todo respeito. Os argumentos são bons, os artigos bem elaborados e concisos, mas todos remam num lado só da correnteza, sem a publicação das divergências. E mais, o debate sobre a coisa militar está sendo dado exponencialmente pelos civis. Nada contra, é importante, mas fica - e está capenga.

Em alguns casos, o que li foi praticamente um linchamento da Polícia Militar. Ora, operacional que é, de confronto, de repressão, o que se esperava da PM, que entregasse buquê de flores ao banditismo? A inteligência da Polícia Civil deixou de ser útil por não ter previsto ou mensurado a contento esta ou aquela manifestação de ordem popular? O fato de haver pessoas se mobilizando socialmente e reivindicando publicamente, e, num caso ou outro, setores da Polícia terem reprimido com excesso de força ou falta de jeito, terá sido o motivo pelos qual devamos nos agarrar para em voz de barítono cantar em alto e bom som o fim de um modelo policial para que se faça outro, simplesmente? 

Discordo da forma como esse debate está sendo posto. E mais, vejo um elitismo nos argumentos que precisa ser sarado antes que adoeça o debate. Não formei ainda opinião sobre a "desmilitarização da polícia", porque isso seria prematuro, já que os argumentos permitidos pela mídia são definitivos em apontar um só caminho. Quero e apelo por conhecer o contraditório, outras opiniões, inclusive militares, para que possa apostar numa decisão mais amadurecida, a menos danosa dos caminhos possíveis. Se o debate está sendo imposto, que seja dialogado.

Escrito e publicado em minha coluna no jornal 'Voz da Costa Verde'
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18h58min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br

domingo, 10 de novembro de 2013

DESENVOLVIMENTO LOCAL: O DEBATE

As pessoas que não estão informadas não participam. 
Ficam indignadas e revoltadas com os problemas, 
mas não participam no sentido construtivo.” 

É preciso estar bem informado para poder lutar por uma sociedade melhor. E ter acesso a indicadores que revelam o desempenho dos municípios na área do desenvolvimento humano é fundamental. Esta é a opinião do economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Ladislau Dowbor.
O Brasil tem 5.565 municípios, e pode ter acréscimos importantes com as novas discussões em torno da aprovação de novas cidades. Há nas Assembleias Legislativas estaduais uma penca de petições nesse sentido, assim como há distritos inteiros em várias cidades brasileiras mobilizados -e outros tantos se mobilizando para buscar o desmembramento e sua devida emancipação. O fato é que, segundo as principais emendas apresentadas na Câmara dos Deputados - em debates mais recentes, haverá a necessidade de apresentação de Estudos prévios de Viabilidade Econômica, que teria que passar pela análise de instituições como o Ipea, por exemplo. De certa forma, este é um limitador, restringe, mas não estanca a sanha.
Texto do Pnud:
Promover políticas públicas descentralizadas sobre desenvolvimento local, melhorando as condições e a qualidade de vida nos territórios. Esta foi uma das mensagens centrais enviadas aos governos nacionais durante 2º Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, realizado na semana passada (29/10 a 01/11), em Foz do Iguaçu (PR). Mais de três mil pessoas de quase 70 países estiveram presentes no evento.

O desenvolvimento econômico local não é apenas uma alternativa viável, mas um complemento indispensável para obter uma trajetória de crescimento mais dinâmica e sustentável, defendeu Rebeca Grynspan, subsecretária-geral da ONU e vice-diretora mundial do PNUD. “É importante conectar o regional com o nacional, sem cair no erro de ter políticas locais e nacionais que se contraponham, complementa.
Leia mais: http://ow.ly/qyIZm

OPINIÃO
> Considerando a análise da Confederação Nacional dos Municípios-CNM de que somente 6% de tudo o que se arrecada no país é que são destinados às Prefeituras;
> Considerando que nas discussões mais recentes - que estão acontecendo em Brasília por um novo Pacto Federativo, só está garantindo assento aos governadores, razão pela qual entidades municipalistas como a Frente Nacional dos Prefeitos-FNP requer espaço no debate;
> Considerando que as maiores prefeituras, a despeito de terem os maiores orçamentos, são também as que recebem mais repasses extraordinários de convênios, em muitos dos casos pelo fato de apresentarem-se com os melhores e mais bem elaborados projetos, que não haveria como ser diferente, visto que a maioria dos municípios brasileiros carece de pessoal qualificado para tanto, resta claro haver injustiça nessa distribuição orçamentária;
Enfim, é por tudo isso - e mais uma porção de outras coisas que considero fundamental que essa conversa tenha sido novamente trazida à luz por tão importantes personalidades e instituições. Minha dúvida é só sobre as razões pelas quais esse papo chegou ao balcão das boas ideias agora, às portas de uma eleição municipal, no que espero honestamente ter sido apenas uma terrível e manjada coincidência. Acompanhemos os desdobramentos.
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12h46min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

AFINAL, É SÓ UMA PONTE

Recebido por e-mail


Veja como a matemática pode ser cruel


Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões. Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre , uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhões.

Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto numérico resumido no quadro abaixo:
Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.

Corruptos existem nos dois países, mas só o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer na China uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento daria graças aos deuses se o castigo se limitasse à demissão. Dia 19/07/11, o Tribunal chinês sentenciou a execução de dois prefeitos que estavam envolvidos em desvio de verba pública.

(Adotada esta prática no Brasil, teríamos que eleger um Congresso por ano)
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21h40min.    -     adelsonpimenta@ig.com.br

terça-feira, 15 de outubro de 2013

SAADI: BASEADO EM FATOS REAIS

Conversei - via fone - há pouco com o amigo Leandro Saadi, que é piloto de paramotor - profissão pela qual se especializou em fotografias aéreas de altíssima qualidade, com larga bagagem em trabalhos de monitoramento fotográfico aéreo, guia ambiental e serviços de guarda-parques. Saadi acaba de chegar de uma tremenda aventura, em que registrou com precisão de imagens e áudio a mais nova expedição de seu amigo Lu Marini, também reconhecido piloto de paramotor, "Rastreando a Transamazônica"que teve como objetivo sobrevoar em uma aeronave experimental a maior distância possível da Rodovia mais polêmica do Brasil, a BR 230, conhecida como Transamazônica.
A expedição teve início no dia 16 de agosto na cidade de Cabedelo - PB, onde está localizado o marco zero da rodovia. Foram 40 dias sobrevoando 7 estados e 63 municípios, em um trajeto com mais de 4.000 km, muitas histórias, encontros surpreendentes e imagens espetaculares, conforme relata Lu Marini. Depois de passar pelos estados da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas, Lu Marini fez seu último pouso na cidade de Lábrea, pequeno município localizado as margens do rio Purus e onde termina a Transamazônica. Para a realização desse grande projeto foram 10 meses de planejamento, com estudo de rota, plano de vôo, situações de resgate, meteorologia, envolvendo mais de 10 profissionais. 

Desculpados os cortes necessários nas edições, de algum modo foi possível ver as coisas pelas lentes do programa Fantástico - da TV Globo. Mas, eu os convido ao site onde há maior riqueza de detalhes dessa expedição impressionante que deverá, se de depender da vontade de Leandro e Marini, se transformar num documentário e num livro, com os resultados desse trabalho.
Acesse aqui: aventurafantastica 

Além do registro desse grande achado de nossa história e geografia nacional, Leandro me contou que acaba de aprovar, pela Lei Rouanet, o projeto de um livro fotográfico sobre São Sebastião, cidade do Litoral Norte de São Paulo, com foco nas áreas ambientais, já publicado no Diário Oficial. Agora, está em fase de estabelecer parcerias com empresas que apostem no projeto. Pela lei, a empresa que investir terá 4% de abatimento sobre o seu percentual total de desconto de Imposto de Renda de sua empresa, ou seja, da integralidade de seu desconto, 4% será pelo incentivo ao livro. Esse é o estímulo que a lei dá aos empresários. Os custos estão estimados em R$ 318 mil, que envolve tiragem , produção e impressão, divulgação e eventos de lançamento e publicidade do material. 

Neste livro, Saadi quer mostrar um lado de São Sebastião que é menos conhecido do público,  o preservado de mata, demonstrando que as belezas naturais da cidade vão além das praias - e que podem ser exploradas sem depredações, mas, acima de tudo, o arquivo fotográfico serve de alerta para que as autoridades façam gestão de preservação desses lugares. Diversas atividades de turismo e pesquisas podem ser executadas nesses lugares, de maneira que a cidade só tem a ganhar com este livro. Saadi tem fotos exclusivas e conhecimento prático da região, de maneira que os interessados na preservação desses recursos e belezas naturais ganharão muito com este registro.

Para quem quiser conversar um pouco mais com Leandro e conhecer o projeto, destaco que o livro conterá o(s) nome(s) da(s) empresa(s) que se tornar(em) parceira(s) na viabilização desse grande projeto de conteúdo fotográfico, com 30% narrativo, o que conferirá um valor agregado interessante de responsabilidade social e sustentabilidade à sua marca. 

Os contatos de Leandro são:
E-mail: leandrosaadi@gmail.com
Fone: (12) 7812-5825  /  Id: 90*18734
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15h08min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

POR QUE PAGAMOS MAIS CARO NO BRASIL?

Artigo da revista 'Época'
Autor: Ricardo Amorim


A diferença de preços do Brasil com o resto do mundo é impressionante. Do restaurante aos eletrônicos, quase tudo é mais caro aqui.

Razões não faltam, começando pelos impostos. Uma das cargas tributárias mais elevadas do planeta, particularmente concentrada sobre consumo e produção, encarece tudo que é feito e comprado aqui.

Impostos não explicam todas as distorções. Também as margens de lucros são mais elevadas. A esquerda culpa a ganância dos empresários pelas gordas margens. A explicação está equivocada. Sim, empresários querem cobrar mais por seus produtos e serviços. Se você pudesse dobrar seu salário, não dobraria?

A pergunta é: por que conseguem cobrar mais aqui? Por que aceitamos pagar mais? Apesar dos avanços desde 1994, adistribuição de renda no Brasil ainda é das piores. Grande concentração gera uma valorização de status nas compras. Demarcam-se as diferenças através do consumo, mesmo que para isso tenha-se que pagar mais. Comprar determinado carro, celular ou iogurte “separa” seus consumidores das classes sociais “abaixo” deles.

A explicação mais importante, porém, não é esta. A baixa competição, a dificuldade de se fazer negócio e o risco mais elevado da atividade empresarial pesam mais.

Burocracia absurda, corrupção, carga tributária elevada, regime tributário complexo, infraestrutura ruim,mão de obra cara e despreparada dificultam a vida das empresas, aumentando o risco de seus investimentos. Com risco maior, empresários reduzem investimentos e, por consequência, a competição. Com menos competição, inclusive com importados – o Brasil é o país com menor taxa de importação de produtos e serviços no planeta – é possível subir preços e aumentar margens de lucro.

Nos últimos anos, as margens no país caíram. Em muitos setores, empresas não conseguiam repassar integralmente aumentos de custos de mão de obra e matéria primas aos preços porque uma competição crescente não permitiu.

A competição aumentou porque a crise no mundo desenvolvido estimulou as empresas a buscarem os grandes mercados emergentes. Somou-se a isso um forte crescimento do consumo no país impulsionado pelo aumento da renda e do crédito. Com mercado maior, cresceram os investimentos produtivos e a competição, reduzindo as margens de lucro. Até aí, ótimo.

Acontece que nos últimos trimestres, tal movimento se reverteu. Desvalorizar o Real encareceu importações, inclusive de máquinas e equipamentos, diminuindo a competição e reduzindo investimentos no país.

Além disso, ao atacar bancos e empresas de energia elétrica para reduzir rapidamente suas margens de lucro, o governo aumentou o risco dos negócios nesses e em outros setores, que temem medidas semelhantes. Com rentabilidade menor e riscos maiores, investimentos caíram, o que, através da redução da competição, vai aumentar margens de lucros e encarecer preços nos próximos anos. Em economia, às vezes os resultados são o inverso das intenções.

Antes de usar os bancos estatais para pressionar os demais a reduzirem juros – um objetivo louvável, buscado de forma ineficiente – a lucratividade média do setor bancário brasileiro era a segunda mais baixa das Américas, atrás apenas dos EUA, ao contrário do que supõe a maioria. Venezuela e Argentina, onde os governos mais “perseguem” bancos, eram os países com os bancos mais lucrativos.

Para reduzir margens e preços, o governo precisa eliminar a burocracia, simplificar a legislação, estimular a competição, evitar o protecionismo, reduzir impostos, inclusive sobre importados e incentivar investimentos. O benefício será dos consumidores.

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.
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15h30min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

SIGILO FISCAL?

Autor: Sivio Caccia Bava


Quem ficou sabendo que o governo federal abriu mão de cobrar R$ 1 trilhão de impostos lançados na dívida ativa da União, devidos principalmente por grandes empresas, públicas e privadas?

Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a provisão, em 2013, para perdas lançada na dívida ativa da União é de R$ 966.413.275.095,20, quase R$ 1 trilhão. E a dívida ativa da União, em setembro deste ano, totalizava R$ 1,35 trilhão. Considerar mais de 70% da dívida impagável é uma mudança radical de postura que vem de 2012. As provisões para perdas em 2008 não ultrapassavam 10% do total da dívida ativa.1

Mesmo reconhecendo falhas no sistema, apontadas por auditoria da Controladoria Geral da União, o que ressalta no relatório da CGU é que todos os órgãos envolvidos – Receita Federal, Ministério do Trabalho, Secretaria do Patrimônio da União – também são responsáveis pelas falhas identificadas e, mais grave, deixam o sistema vulnerável a fraudes.2

Quem decidiu que há devedores que não podem pagar? Que devedores se beneficiam dessa nova política? Isso foi decidido nos meandros burocráticos do governo, longe do debate público. Em nome de uma legislação que defende o sigilo fiscal das empresas, os principais devedores da União são mantidos no anonimato, protegidos por uma atitude do governo que ultrapassa em muito o que a legislação define. O centro da questão é a democracia. Por mais bem-intencionado que seja, não pode ser um grupo de técnicos que decida abrir mão da cobrança de R$ 1 trilhão.

Um trilhão de reais é muita coisa. Dá para transformar a vida dos brasileiros. Dá para melhorar muito a infraestrutura urbana para uma boa vida nas cidades. O jornal Valor Econômico estima que as demandas das ruas exijam investimentos de R$ 115 bilhões por ano.3

Essa mesma postura de assegurar o sigilo fiscal para preservar a imagem das empresas que são devedoras de impostos é assumida também pela Prefeitura Municipal de São Paulo, que se recusa a informar quais são as vinte empresas com os maiores débitos de impostos municipais. A dívida ativa do município é de R$ 55 bilhões.

Como conselheiro da cidade, solicitei essas informações e a resposta da Secretaria de Finanças foi de que os dados das empresas não são passados porque são protegidos pelo sigilo fiscal. E isso é mantido mesmo com a nova lei de acesso à informação. Os nomes das empresas são protegidos.

Consultei escritórios renomados de advocacia, que me esclareceram: depois da condenação da dívida, não há mais sigilo fiscal. A Secretaria de Finanças do município de São Paulo, assim como os órgãos federais responsáveis pela dívida ativa da União exorbitam ao negar essas informações. As execuções fiscais são públicas. Por isso, ainda que exista sigilo na fase administrativa, na fase judicial já não se fala em sigilo.

Durante décadas foi construída uma institucionalidade feita para separar a economia da política. A autonomia do Banco Central é a joia da coroa. A economia é dirigida para alavancar a acumulação e beneficiar especialmente os grandes bancos. A política serve para administrar as pressões sociais e garantir o status quo.

Nos últimos anos, a sonegação de impostos só vem crescendo. E a impunidade favorece esse comportamento. Hoje temos uma carga tributária de 35% do PIB, e especialistas dizem que, se não houvesse sonegação, poderíamos baixá-la para 20% e ainda haveria superávit.

Inverter essa lógica é o grande desafio. Para priorizar o interesse público sobre os interesses do mercado, a economia deve se submeter ao planejamento e ao controle democrático. E o governo deve cobrar das empresas os impostos devidos. Eles são creches, escolas, salários melhores para os professores, melhores transportes coletivos e muito mais.

A disputa é para revigorar as instituições democráticas. É para ampliá-las, acolher novos atores e criar novas instâncias de participação cidadã e controle social, inclusive sobre as finanças públicas. Os nomes das empresas sonegadoras, assim como a natureza e o montante de seus débitos com o poder público, devem ser de conhecimento de todos. Os governos eleitos são responsáveis por assegurar essa postura de transparência.

Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
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15h01min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

NUNCA ESTIVEMOS TÃO BAIXO

Artigo publicado no 'Valor Econômico' (30/09/13)
Autor: Renato Janine Ribeiro

Créditos da fotoimagem: 'agoragrega' (site)

O Brasil chegou ao fundo do poço, em termos de debate político. Não lembro nenhuma época das três décadas, desde a democratização de 1985, em que tenhamos estado tão baixo. Nunca tantos brasileiros tiveram acesso a um veículo como a internet, que transmite tantas informações e proporciona uma participação assim ativa no debate, por meio das redes sociais - e, no entanto, nunca foi tão estéril a discussão de ideias e projetos para a sociedade. Para quem esperou que a rede de computadores constituísse uma ágora - o nome grego para a praça na qual o povo reunido debatia e decidia as questões políticas - a frustração é enorme. Nossa democracia sobrevive, mas graças mais aos tribunais do que ao povo ou à mídia. Digo isso com tristeza.

Nossa lei eleitoral contém disposições que inibem a boa vida política. Não discuto aqui certas macroquestões, como o voto distrital ou o proporcional, mas regras simples, porém muito equivocadas.

Está na lei - e deverá continuar na lei, diante do boicote do PT na Câmara até mesmo a microrreforma eleitoral - que, se um candidato eleito a cargo majoritário for condenado pela Justiça Eleitoral, seus votos serão anulados, dando-se posse a seu adversário derrotado nas urnas. Isso vai contra a essência da democracia, que consiste no poder do povo, expresso pelo voto da maioria. O candidato vitorioso teve a maioria dos votos, relativa ou absoluta. Se esse contingente de sufrágios é cassado, o poder irá para um candidato perdedor. Essa insanidade já prejudicou tudo que é partido, seja o PT (caso de Mauá/SP), o PSDB (a Paraíba), ou o PDT (o Maranhão). Mas, está na lei, e a Justiça Eleitoral aplica-a. A regra é escandalosa. Entendo-a como inconstitucional, pois afronta um princípio essencial da democracia, mas a culpa maior pela violação do princípio democrático é do Legislativo, mais do que do Judiciário.

Também está na lei que a campanha eleitoral só pode começar depois da convenção que indique o candidato do partido. Em tese, os convencionais se reúnem sem saberem quem quer candidatar-se...E assim fingimos que Marina Silva, Aécio Neves, Eduardo Campos ou Dilma ainda não são candidatos. É uma bobagem sem fim. Imaginemos que alguém, hoje, queira concorrer a presidente em 2018. Não pode sair por aí dizendo isso. Mas por que não? Que mal faria alguém ter esse capricho?

Não espanta. A sociedade brasileira não tem o gosto norte-americano pelo debate público. Basta ver o júris cá e lá. Nos Estados Unidos, quando se reúne o conselho de sentença, a discussão rola solta. Quase sempre se exige unanimidade, para condenar ou absolver. Eles discutem até chegar a um acordo. Se não chegam, o julgamento é anulado e, se for possível, convoca-se outro. Mas geralmente uma parte convence a outra. Por isso mesmo, o júri norte-americano dá excelentes filmes de suspense.

Mas é impossível rodar um filme sobre o júri brasileiro. Quando o juiz reúne os jurados, reina o silêncio. Qualquer debate levaria à anulação do processo. Os jurados recebem as cédulas "sim" ou "não", escolhe uma sem deixar os outros a verem, e colocam na urna. Não se quer a geração coletiva de uma decisão, apela-se à consciência íntima de cada um. É como se pedíssemos a cada jurado que um espírito viesse iluminá-lo. Disso se espera uma decisão justa - da falta de discussão. É como se tivéssemos medo do debate, receando que os mais hábeis manipulem os menos. Em outras palavras, chamamos a livre expressão, a discussão pública, a ágora grega de mera manipulação.

Num país de escassa formação para o debate, espanta que a política seja tomada pelo ódio, e que os dois lados do espectro partidário ajam como Bourbons? Cito a anedota de Stendhal: em 1815, quando as dinastias depostas retornaram ao trono da França e de outros países, elas voltaram "sem esquecer nada, sem aprender nada". Assim funciona nossa discussão política, ou melhor, sua ausência.

Entre os critérios que o "Economist" usa para medir a qualidade das democracias estão as instituições, a cultura política e a mobilização política. No relatório de 2012, nossas instituições receberam nota elevada, enquanto os dois outros quesitos pontuaram mal. Este ano subirá nossa nota em mobilização, graças ao povo que tomou as ruas cobrando maior qualidade do Estado. Mas a cultura política continua baixa. Em 2014 a Justiça Eleitoral coibirá abusos no horário gratuito, conterá parte do uso da máquina governamental e barrará os fichas-suja. Mais que isso não pode fazer. O problema somos nós, cidadãos, eleitores, que não fazemos nossa parte.

O que propor? Algo que parece ingênuo, mas que é básico do ponto de vista ético. Homens e mulheres de boa vontade., empenhados em melhorar nosso quadro político, deveriam assegurar um debate de qualidade.. Isso não é abrir mão de convicções políticas, mas é reconhecer que há gente decente dos dois grandes lados de nosso espectro partidário, e que a vitória esmagadora de uma parte não é possível - nem desejável. Isso exige evitar palavras grosseiras, como petralha e tucanalha, que desqualificam em bloco muitas pessoas boas que fazem trabalho bom. Isso significa, sobretudo, fazer uso bom - e não mau - da vantagem histórica que é ter, desde 1994, disputando os principais cargos do país, dois partidos acima da média, PSDB e PT - e, este ano ou em breve, a Rede.

Comparem isso a qualquer momento de nossa história anterior. Não podemos desperdiçar as conquistas das últimas décadas. Desde 1985 estamos construindo uma democracia sustentável. Mas precisamos que ela não fique só nas instituições, que se enraíze nos corações.
Renato Janine Ribeiro, é professor titular de ética e filosofia política na USP.
E-mail: rjanine@usp.br
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13h51min.      -     adelsonpimenta@ig.com.br



terça-feira, 17 de setembro de 2013

O JUIZ E A SOCIEDADE

Publicado no Globo deste domingo
MERVAL PEREIRA

Ao chamar a atenção de seus colegas na reunião de quinta-feira sobre a provável reação das ruas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que indiquem retrocesso em nosso sistema jurídico, o ministro Marco Aurélio Mello levantou uma questão que está sempre sendo debatida entre os próprios juízes: até que ponto a sociedade deve ter repercussão nas decisões dos tribunais, especialmente do Supremo, a última instância da Justiça brasileira?
Marco Aurélio Mello lamentou na ocasião que o tribunal que sinalizara uma correção de rumos visando um Brasil melhor para nossos bisnetos, estivesse a um passo de desmerecer a confiança que nos foi confiada. Irônico como quase sempre, Mello disse que já não falava em esperança de dias melhores para os filhos e para os netos.
O comentário suscitou uma declaração do ministro Luís Roberto Barroso que não se coaduna com o que o próprio ministro afirmara em seu discurso de posse no STF. Nele, Barroso disse considerar um bom símbolo a juventude e o povo nas ruas cobrando melhorias para o País. Definiu o movimento social como algo positivo. (…) essa manifestação pacífica, energia criativa e construtiva que está vindo das ruas, da sociedade brasileira, certamente fará muito bem a esta população.
E o que disse Barroso na quinta-feira? Não julgamos para a multidão, julgamos pessoas. Sou um juiz constitucional, me pauto pelo que acho certo ou correto. (…). Se a decisão for contra a opinião pública é porque este é o papel de uma Corte constitucional.
O tema, aliás, havia sido abordado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, em sua posse, quando afirmou que os magistrados devem levar em conta as expectativas da sociedade em relação à Justiça e disse que não há mais espaço para o juiz isolado.
O ministro Luis Roberto Barroso certamente não ignora o que fez o povo sair às ruas para pedir o fim da corrupção, que é o cerne do que se discute nesse momento. Portanto, quando diz que não está à cata demanchetes favoráveis, mas sim de fazer o que acha certo, está ao mesmo tempo desprezando, com uma visão personalista, a opinião pública e a imprensa que a expressa em regimes democráticos. Não é um bom sinal, e nem mesmo combina com a imagem de humanista com que Luis Roberto Barroso sempre foi reconhecido.
E, sobretudo, vai de encontro a textos dele mesmo, como o que se segue, de 2008, sobre a opinião pública. Escreveu Barroso:
O poder de juízes e tribunais, como todo poder político em um Estado democrático, é representativo. Vale dizer: é exercido em nome do povo e deve contas à sociedade. Embora tal assertiva seja razoavelmente óbvia, do ponto de vista da teoria democrática, a verdade é que a percepção concreta desse fenômeno é relativamente recente. O distanciamento em relação ao cidadão comum, à opinião pública e aos meios de comunicação fazia parte da autocompreensão do Judiciário e era tido como virtude. O quadro, hoje, é totalmente diverso.
De fato, a legitimidade democrática do Judiciário, sobretudo quando interpreta a Constituição, está associada à sua capacidade de corresponder ao sentimento social. Cortes constitucionais, como os tribunais em geral, não podem prescindir do respeito, da adesão e da aceitação da sociedade. A autoridade para fazer valer a Constituição, como qualquer autoridade que não repouse na força, depende da confiança dos cidadãos. Se os tribunais interpretarem a Constituição em termos que divirjam significativamente do sentimento social, a sociedade encontrará mecanismos de transmitir suas objeções e, no limite, resistirá ao cumprimento da decisão.
A relação entre órgãos judiciais e a opinião pública envolve complexidades e sutilezas. De um lado, a atuação dos tribunais, em geral – e no controle de constitucionalidade das leis, em particular –, é reconhecida, de longa data, como um mecanismo relevante de contenção das paixões passageiras da vontade popular. De outra parte, a ingerência do Judiciário, em linha oposta à das maiorias políticas, enfrenta, desde sempre, questionamentos quanto à sua legitimidade democrática.
Nesse ambiente, é possível estabelecer uma correlação entre Judiciário e opinião pública e afirmar que, quando haja desencontro de posições, a tendência é no sentido de o Judiciário se alinhar ao sentimento social” (…)
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10h30min.    -     adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

DILMA SANCIONA E ROYALTIES DO PETRÓLEO VAI PARA EDUCAÇÃO E SAÚDE

Há pouco, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que destina os royalties do petróleo para investimentos nas áreas da educação e saúde. O texto, segundo o 'Blog do Planalto' (base redacional desta postagem)  é o mesmo aprovado no dia 14 de agosto pelo Congresso Nacional, sem vetos, com destinação de 75% dos valores para a educação e 25% para a saúde. O primeiro repasse, de R$ 770 milhões, deverá ser feito ainda em 2013; chegando a R$ 19,96 bilhões, em 2022, e a um total de R$ 112,25 bilhões em dez anos.

Com relação ao Fundo Social do pré-sal, o texto prevê que 50% dos recursos sejam destinados para a educação, até que sejam atingidas as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), e para a saúde. Conforme regulamentação posterior, o fluxo de dinheiro do Fundo para as duas áreas será diminuído.

PNE

Atualmente, o investimento total do Brasil na educação pública corresponde a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O projeto de lei que cria o novo PNE, já aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado Federal, inclui uma meta para que o percentual de investimento na área seja ampliado para 10% do PIB.



OPINIÃO
A expectativa do povo brasileiro é a de que, suponho, esta medida não seja só mais uma daquelas que põem dinheiro nos cofres públicos, mas que na ponta, ou seja, na prestação de serviços, não se encontra a qualidade imaginada. A educação pública no país carece de fato de maior poder de investimento, assim como os profissionais da área estão subvalorizados. Todas as condições estão postas, mas, assim como já houve uma CPMF para a saúde, fiquemos todos de olho. Vou ver se leio a publicação no Diário Oficial da união - D.O.U. desta lei em sua forma integral e farei um arrazoado mais cirúrgico acerca do tema. A previsão é que essa nova distribuição e determinações já valham para este ano. Pois bem, isso já alterará consideravelmente as coisas nos estados e municípios recebedores dos royalties do petróleo. Sobre isso, também farei minha resenha, mas, como disse, quero conhecer a íntegra da lei primeiro. Por fim, estamos vendo que não é a falta de dinheiro que deve servir de desculpa, mas a incapacidade de gestão ou falta de vontade política. Ufa.
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18h48min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

GOVERNO BRASILEIRO, NÃO METE ESSA.


Eu, que sou só um modesto blogueiro e sem  ter a disposição nenhuma estrutura para desenvolver o trabalho da forma que de fato gostaria, talvez, por excesso de ingenuidade, não cri em nada das caras e bocas que alguns membros do alto escalão do Governo brasileiro fizeram nos últimos dias, em especial no de hoje, (02/09), quando se declararam indignados e levemente desinformados sobre o trabalho executivo americano que bisbilhota -e, mais que isso, usa grampo digital sobre os relacionamentos estratégicos do comando do país, por meio da NSA - agência americana de inteligência. Não cri e não creio. Para mim, isso é balela para não passar recibo de que já atuamos há séculos agachados e com a bunda de fora, sem qualquer segurança cibernética e militar. Faz tempo que crescemos usando a tecnologia dos outros, em especial dos americanos ou a certificada por aquele mercado, softwares desenvolvidos por empresas americanas, provedores de internet criados por eles também - e a lista é longa. Ademais, nas primeiras informações que circularam acerca desse assunto, o Secretário de Estado Americano, John Kerry, esteve em Brasília e disse em alto e bom som que monitorava sim e que ainda estaria ajudando o nosso país. Passa a régua.


As revelações de Edward Snowden, o alcaguete americano - para nossa alegria e espanto, não devia comprometer a qualidade de nossas relações diplomáticas - estas não vão bem há um bom tempo. Ora, faz alguns anos em que eu ouvia um especialista e ex-membro do serviço de inteligência americana dizendo que a próxima guerra seria a cibernética. Basta digitar nos sites de busca sobre essa entrevista que várias referências serão apresentadas. Das muitas coisas que li a esse respeito, reservei um pequeno trecho para que compreendam minha descrença em relação aos discursos do Governo. Leia:

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Leia o Artigo, clicando -aqui-

Se você se dedicou a ler o Artigo acima, também não se surpreenderá, mesmo que só esteja acessando a essa informação agora; mas, veja bem, eu e você somos pessoas comuns, desprovidas da estrutura e dos relacionamentos que possui um Governo, portanto, é neste contexto que não cabe as desculpas esfarrapadas dos Senhores ministros de Estado de que não sabiam das coisas - e que só tomaram noção do tamanho depois que a TV Globo exibiu esta matéria no programa fantástico, exibido ontem pela emissora. É mais fácil fazer cara feia, usar de bravatas que investir em tecnologia e conhecimento, que financiar pesquisas e bancar o brasileiro nesse aprendizado? Desculpem-me, mas tinha que desabafar. É muita estorinha, gente.
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19h39min.     -        adelsonpimenta@ig.com.br

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O BRASIL PROMETE, MAS NÃO INVESTE NO GERENCIAMENTO DE DESASTRES NATURAIS

Clique -aqui- e leia a matéria de referência - do Banco Mundial
Clique sobre a imagem e visualize-a melhor


Sob o título "Com gerenciamento de desastres, Brasil poderia economizar bilhões de reais", o artigo publicado em 19/11/12 na página oficial do Banco Mundial chamou a atenção para a desassistência governamental sobre investimentos importantes que deveriam ter sido providenciados na área de prevenção, como engenharia de contenção de encostas, abertura de canais de escoamento de águas pluviais, ordenamento no uso e ocupação territorial, planos habitacionais para correção de déficits - orientados por instruções e normas técnicas adequadas a cada local, entre outras coisas, é o meu entendimento sobre o assunto. Mas, importante dizer, que o Banco Mundial tomou por base o anunciado em agosto de 2012 do chamado Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais (2012 - 2014). Dos R$ 18,8 bilhões previstos para serem investidos, 83% foi a reserva para financiar obras capazes de prevenir e/ou diminuir os efeitos das catástrofes.


Tenho acessado as informações possíveis e disponíveis de boa parte dos estados e cidades onde os impactos das chuvas e suas consequências registram maiores danos e, honestamente falando, alguma coisa não deve estar dando certo - o planejado e anunciado com pompas pelo Governo federal está longe de estar acontecendo de fato. Há problemas sabidos como falta de pessoal qualificado nas prefeituras, excesso de burocracia nos procedimentos administrativos, demoras e entraves na contratação de empresas especializadas na engenharia de contenção de encostas, por exemplo, entre várias outras coisas, mas, convenhamos, é preciso desburocratizar, fazer a fila andar. É neste contexto que compreendo o artigo do Banco Mundial. 

Pessoas estão morrendo e muitas outras continuam sujeitas aos riscos pela falta de investimento público, pela perda da organização urbana, pelo descaso com as necessárias políticas públicas voltadas para esta questão, pela ausência ou ineficiência de fiscalização. Enquanto os Governos não se dispuserem à ir além das promessas e da liberação de alguns recursos, as obras que de fato continuarão sendo feitas é a ampliação de cemitérios para enterrar nossa gente morta por consequência da falta de governança sobre esta questão. Estamos chegando ao fim de 2013 e só Deus sabe o que de fato desse planejamento foi executado, até que as chuvas do próximo verão nos mostrem uma realidade cada vez mais dura.

É o meu entendimento.
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16h01min.       -        adelsonpimenta@ig.com.br