Números já são complexos quando misturados, ainda mais quando isso exige critérios de contabilidade e economia pública. Municipalista que sou - por convicção, segundo um estudo da Confederação Nacional dos Municípios - CNM, de tudo o que se arrecada no país, somente 6% vai para os municípios. A mesma entidade assegura que em 2012 praticamente 64% dos municípios brasileiros fecharam seu ano fiscal com pendências - e problemas nos Tribunais de Contas. A máquina pública federal continua arrecadando e inchando e ficando cada vez mais pesada, custosa, lenta e ineficaz, enquanto nos municípios a situação urbanística e social vai-se degringolando. Os governos estaduais vivem suas capitais e praticamente esquecem suas periferias e cidades interioranas.
Com conhecimento e capacidade - em termos de recursos humanos, não há estoque disponível no mercado. Quem está na iniciativa privada resiste à migrar para o público, salários e exposição de suas vidas privadas são levadas em conta; os partidos políticos perderam sua identidade ideológica e identificação política com o cidadão, hoje, boa parte dessas agremiações são muito mais uma colcha de retalhos fisiológica e estão infestadas de caciques, enquanto nas bases vivem no ostracismo ou fora de operação, encorpando-se nas eleições, e depois volta tudo como dantes no quartel de Abrantes. As cidades é que sofrem com isso, principalmente as de pequeno e médio porte, porque ao ganhar as eleições, não há quadros competentes para gerir as prefeituras.
É preciso que reflitamos cada vez mais sobre essa questão, que debatamos e que encontremos saídas mais igualitárias. Se somos os provedores da máquina pública, temos que ser também seu principal cliente, assim como devemos nos insurgir contra o caciquismo, ocupando espaços e disputando cargos eletivos. É preciso alternar o poder, oxigenar a coisa pública, atualizar a causa, estar e se fazer presente. É tudo nosso, mas tem sido dominado por poucos.
É o jogo!
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11h49min. - adelsonpimenta@ig.com.br

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