sábado, 23 de agosto de 2014

O ELEITOR TIROU TODOS DA ZONA DE CONFORTO.


Quando o presidenciável Eduardo Campos e a Marina Silva se entenderam pela aliança, pós insucesso da criação do Rede Sustentabilidade, de certo modo, convenientemente, todos -, absolutamente todos com alguma chance de aparecer na foto da disputa eleitoral deste ano à Presidência da República, cada qual com seu quinhão de interesse, se deu por satisfeito. 

As pesquisas de opinião pública demonstravam que Dilma provavelmente iria ao segundo turno. Aécio também. Eduardo, sabia de suas limitações eleitorais neste ano, mas fazia contas diferente, já que fazer acrescer sua bancada nos estados e no Congresso Nacional era uma meta - um gatilho para um projeto que se mostraria cada vez mais audacioso e possível mais à frente. É o que se supõe. Ao menos é o que intuo. 

À Marina, ora bola, cabia o papel de manter-se em evidência, porque ficar de fora poderia ser sua morte por inanição política. 

Todos, por esta linha de raciocínio, gozavam de lucros nesta eleição, lucros políticos, antes mesmo da abertura das urnas. Uma zona de conforto que foi sacudida com a abrupta e trágica morte de Eduardo Campos. O acaso, sempre ele, capaz de fazer mirabolantes planos de engenharia virem ao chão, foi também o fator que fez fosso entre o que se tinha ao alcance da vista e a manutenção do status quo.

Com nome posto na linha de frente, Marina foi sondada pelas pesquisas de opinião pública. É bem verdade que o momento era o de comoção pela tragédia. Mas, e daí. Ela foi alçada à condição de postulante altamente competitiva, com votos que - em tese - não era para ninguém. Ela foi contemplada com a intenção de voto que pertence ao eleitor que não havia se decidido por nenhum dos outros nomes ainda. Foi o que bastou.

O resultado dessa pesquisa foi imediatamente aferido por outras tantas sondagens para consumo interno dos partidos e seus estrategistas. Todos confirmam os dados mais recentemente divulgados. Isso fez sacudir os alicerces em que estão amparados os tais "interesses" de cada grupo concorrente nesta eleição. 

Todos saíram - ou tiveram forçadamente que saírem da zona de conforto. 
O eleitor é capaz de surpreender, antes mesmo de ir às urnas.
Créditos: Frase-arte: conversasinteligentes
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22h06min.    -      adelsonpimenta@ig.com.br

sexta-feira, 25 de julho de 2014

AÇÃO DA OAB NO STF PODE MEXER NA ELEIÇÃO DE 2016


Há pouco eu assistia ao programa 'Diálogos' da GloboNews, em que o entrevistado era o advogado Marcus Vinicius Côelho, Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB. Diversos assuntos eleitorais foram abordados, já que o entrevistado é autor de livro jurídico sobre o tema. Me ative ao detalhe da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n° 4650, que foi protocolada em 2011, em que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questiona dispositivos da atual legislação que disciplina o financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais (Leis 9.096/1995 e 9.504/1997). A ADI está sob pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal - STF.

Na opinião da entidade, a participação de empresas no financiamento de campanhas eleitorais termina prejudicando o equilíbrio da eleição. Particularmente, concordo com essa compreensão. Segundo o presidente nacional  da OAB,  "o fim do financiamento empresarial já existe em metade da América Latina e em mais de 30 países". No STF já conta com 6 votos pelo provimento à Ação. Ele acrescentou que "O atual sistema exclui milhares de brasileiros da vida política brasileira". Essa é outra verdade incontestável sobre o assunto, penso eu. Os grandes gastos são programas de televisão e pesquisas de opinião, principalmente.

Além de gerar um outro grande debate nacional e forçar os congressistas brasileiros a se posicionarem, uma decisão do STF favorável ao que reclama a OAB, poderá - em tese - forçar enfim a reforma política tão necessária no país, e, acima de tudo, mexerá imediatamente com as próximas eleições municipais de 2016, já que o financiamento ficaria sobre a participação de pessoa física, podendo, por óbvio, ser de empresários e do fundo partidário, mas, importante dizer, sob regras específicas para esse desembolso sempre pessoal em benefício de uma candidatura. A OAB acredita que, se aprovada essa ADI, haverá o barateamento dos custos de campanha. nisso finalizo, quem sabe não seja a oportunidade que falta para que pessoas menos abastadas ou as que não querem dever favor alguma empresas financiadoras, enfim se apresentem às disputas por mandatos eletivos.

Leia esta matéria sobre os trâmites: Clique -aqui-
Assista o vídeo da entrevista que citei: Clique -aqui-
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19h55min.      -       adelsonpimenta@ig.com.br

quarta-feira, 28 de maio de 2014

MPE/SP e MPF SE OPÕEM AO PROJETO DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO/SP


Deu no 'Estadão', mas o informe está em vários outros locais, inclusive com chamada na página do próprio MP, no Facebook. O fato é que o MPE/SP e o MPF, Ministérios Públicos Estadual e Federal, por meio de uma uma Ação Civil Pública, vão à Justiça Federal requerendo algo que atenta, de certo modo, contra os interesses econômicos do Estado de São Paulo e do Município de São Sebastião. Os Promotores de Justiça ensejam a suspensão do licenciamento ambiental do projeto de expansão do Porto de São Sebastião. A Ação Civil Pública tem pedido de Liminar, o que configura a pressa sobre a matéria, pelos promotores.

Nas audiências públicas - coordenadas pelo Ibama para a discussão do projeto da Cia. Docas de São Sebastião, eu mesmo acusei e reclamei publicamente - no uso do microfone, em minha participação -, da ausência do MP à mesa. Não conheço a obrigação legal desse comparecimento, mas soma; enquanto a ausência prejudica. No lado de lá do balcão ficam as autoridades ambientais e os empreendedores, mas do lado de cá é a sociedade, que, salvo melhor juízo, tem mais poder de voz e representatividade com o MP à mesa. Reconheço que os procedimentos e protocolos prevêem manifestações à posteriori e coisa e tal, mas, convenhamos, uma discussão desse porte com o MP presente é uma coisa, ausente é outra. Foi o caso.  

Estudo de Impacto, clique -aqui-
Em 03/01/14, publiquei: "Impacto Lá e Cá: Ibama e a Licença do Porto"

De certo modo, reconheça-se, houve repercussão e capacidade de contraponto pelos opositores do projeto, em especial entidades ambientalistas de Ilhabela. Os Promotores de Justiça questionam o EIA_Rima em vários aspectos, entre os quais, uma avaliação técnica mais detalhada sobre os possíveis impactos sociais e ambientais, no que envolve o Porto, o Contorno Sul e o Tebar, sob a suspeita de prejuízos às atividades turísticas voltadas para Ilhabela. O mangue do Araçá também está na Ação Civil Pública. Fundamental que haja esse olhar crítico sobre o documento, mas, reitero, tivesse o MP presente nas audiências públicas, parte importante dessas coisas já teriam sido esclarecidas e alterações poderiam ter sido propostas e já correspondidas. Há prejuízos sim, por conta de tudo, creio eu. 

Afinal, há diversos interesses em jogo, não só os de Ilhabela, os de São Sebastião, os do Estado, enfim, mas é uma análise que deve, penso eu, considerar o conjunto da obra. Me causa certa estranheza, confesso, essa Ação tardia, embora reconheça sua importância revisora. Tenho por certo que os empreendedores se manifestarão sobre o caso, que a Justiça ouvirá os lados dessa história, e que a Prefeitura de São Sebastião e Ilhabela também deverão ser convidadas à manifestar-se. Por óbvio que um EIA-Rima deve ser bem produzido, com avaliações importantes feitas e considerando sempre o pior cenário para que as medidas propostas de mitigação sejam bem dimensionadas. A Antaq também já havia formulado questionamentos importantes sobre o projeto. 

No fim das contas, qual será o posicionamento da Justiça Federal? Qual será a capacidade de exposição técnica e de soluções que apresentarão os empreendedores? Ter o MPE e o MPF contrários é osso duro de roer. Vou analisar melhor o caso e tornarei a falar sobre o assunto, neste espaço.
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22h09min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br 

sábado, 15 de março de 2014

ENCONTRO NACIONAL DE MUNICÍPIOS


A Associação Brasileira de Municípios realiza na próxima terça e quarta-feira, dias 18 e 19 de março o Encontro Nacional de Municípios – Desafios e possibilidades para 2014.  O evento vai reunir em Brasília prefeitos e prefeitas, gestores(as) municipais, vereadores(as) e demais agentes do municipalismo para discutir a agenda das cidades brasileiras para 2014 e o aprimoramento do pacto federativo.
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08h39min.    -    adelsonpimenta@ig.com.br

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

LUTEMOS PELA CAUSA, NÃO NOS MATEMOS PELO CASO

Postado em meu perfil no Facebook,
originalmente

Foto: Google/Portal Terra

Há, inegavelmente, um novo ciclo social ocorrendo no país, que é o despertar do cidadão para a coisa pública, mas não necessariamente já seja o ápice de toda a população. Com essa extraordinária novidade, é possível dizer que aumentou a consciência cívica e/ou o senso crítico de cada um? Trata-se de uma pergunta em que não cabe pressa na resposta. O Governo se adiantou em falar em "ascensão social", chamando de "uma nova classe média", portanto, mais exigente. Faz sentido, mas não entendo que uma avaliação tão simplista diga sobre o conjunto da obra. 

O fato é que borbulha em cidades menores hoje o que foi, de certo modo, germinado nas grandes capitais do país, principalmente com aula inaugural nas manifestações de junho do ano passado, 2013, tendo começado pelo tamanho de R$ 0,20 em São Paulo, chegando a tamanho e valores que não se pode calcular hoje. Segundo o advogado do ativista preso que lançou um rojão e matou o cinegrafista da Band, há pro-labore de partidos e políticos para "manifestantes" que se mascaram e faz proliferar a desordem urbana, a balbúrdia com tinta de "manifestações". 

Há especialistas debruçados sobre essa questão pesquisando e estudando o que alguns já chamam de fenômeno. Há gente sem esse grau de introspecção e capacidade técnica ou científica fazendo sua parte, tocando a corneta, segurando o bumbo, ajudando a repercutir o eco das "vozes das ruas". Tudo isso é salutar, é ingrediente da democracia. 

Há excessos? É claro. Mas, vejam, até isso só cabe na óptica de uns, enquanto que para outros, inclua-se aí parte da elite intelectual e artística do país, é moda, é legítimo. Eu creio em revoluções, mas cada qual em seu contexto, porquanto, talvez por excesso meu de preciosismo, creio ser possível nos dias atuais revolucionar sem ter que cometer crimes. As ideias chamam hoje muito mais atenção que as vidraças estilhaçadas por pedras arremessadas por quem quer se fazer ouvir, influir, mudar o rumo das coisas, porque se o caminho do entendimento não for o da prosa, da confabulação, não serão então soluções consensuais que se busca; talvez a imposição. Mas isso tem odor e não cheiro de democracia.

Tenho refletido muito sobre isso. Não estamos em guerra, isso é semântica, estamos em luta - e por uma causa, não para criar caso simplesmente. Há coisas que não acontecem sem esforço, e a união dos brasileiros reivindicando melhorias na coisa e no trato público é louvável, há que se entusiasmar. Novos tempos, ainda bem. Mas, não nos esqueçamos que vencemos uma noite negra nessa nação que durou mais de 20 anos, homens tombaram, sangue foi jorrado ao chão, vozes foram silenciadas e crimes foram cometidos para que tivéssemos hoje o gozo de liberdades. O aperfeiçoamento dessas conquistas é o nosso desafio atual, porquanto, as armas, a tática e o modus operand devem ser também atualizados. Há várias formas de pressionar, exigir, encostar na parede, sem ter que usar da violência que tira a vida de outra pessoa. 

Avancemos em luta, na labuta, sem perder o foco de nossa cidadania tão cara à nossa gente. Todos os canais de diálogo institucional, social, partidário, político e pessoal estão desobstruídos, o voto é livre, enfim, que façamos sim uma grande revolução ganhando adesões, não cadáveres.
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15h13min.    -    adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ESPIONAGEM INDUSTRIAL

A mídia nacional repercutiu essa informação ontem (26):
"A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) está envolvida em espionagem industrial e irá obter qualquer informação que esteja ao seu alcance, sem levar em consideração seu valor para a segurança nacional, disse o ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden a uma rede de TV alemã."
Leia a matéria do estadao:

No Livro "CYPHERPUNKS - Liberdade e o Futuro da Internet, de Julian Assange, que estou lendo agora, num certo trecho, li:
"Um exemplo foi o documento que ficou conhecido como “A lista de compras do Imp
ério”, ignorado pelos grandes jornais. Ele dissecava os interesses estratégicos norte-americanos em todo o mundo – de gasodutos na Rússia até minério de ferro e nióbio no Brasil. Nele, o Departamento de Estado de Hillary Clinton pedia que suas embaixadas pesquisassem a segurança dessas instalações em segredo: “Não estamos pedindo que as embaixadas consultem os governos a respeito dessa solicitação”, dizia o documento".

OPINIÃO

Ao que pergunto: Onde está a novidade? Será que todos foram pegos desavisadamente, mesmo com tanta informação estratégia já circulando há um bom tempo? Ora, não faz algumas semanas que o Governo brasileiro abriu seu mercado para o capital estrangeiro. Faz anos. Desde então, a especulação começou. Um país da grandeza do Brasil e sua importância alcançada na conjuntura econômica e consequentemente geopolítica mundial, por óbvio, não precisa ser especialista, para prever que seria objeto de toda sorte de espionagem, principalmente a industrial. Até aqui nenhuma novidade.

O que chama pela atenção é saber o que de fato o Governo brasileiro, as grandes empresas, enfim, fizeram para garantia constante de sua segurança cibernética. Ao haver espionagem em escala industrial sobre as operações governamentais e de negócios no país, isso não fragiliza só os alvos sob bisbilhotamento, mas a sociedade como um todo também. Para um país que tem déficit de investimentos em aparatos logísticos e em obras de engenharia de infraestrutura para escoamento de sua produção, não chega a espantar haver carência na cobertura sobre transações em rede, mas, convenhamos, para uma nação que cresce tanto e se torna poderosa em algumas coisas, pecar em questões tão elementares quanto esta e se deixar tão vulnerável assim, chega a ser de um amadorismo que impressiona a todos.
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10h55min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

BANCAMOS A DESIGUALDADE...


De acordo com especialistas do iFHC, o setor público fica com 36,5% do PIB brasileiro. O Estado não investe sequer adequadamente em infraestrutura, os valores empreendidos não chegam a nem um terço desse percentual. O país alcançou elevado nível de produção, e escoa com extrema dificuldade essa riqueza material. Podia e devia investir mais. Talvez por intrincadas equações políticas sobre a gestão, pois o juro sobre a dívida interna, os gastos com pessoal e com a máquina administrativa consomem a maior parcela dos recursos, e tais investimentos não tem sido feitos na supressão da demanda. Na verdade, o chamado custo-Brasil devia ser chamado por custo-Governo. 

Números já são complexos quando misturados, ainda mais quando isso exige critérios de contabilidade e economia pública. Municipalista que sou - por convicção, segundo um estudo da Confederação Nacional dos Municípios - CNM, de tudo o que se arrecada no país, somente 6% vai para os municípios. A mesma entidade assegura que em 2012 praticamente 64% dos municípios brasileiros fecharam seu ano fiscal com pendências - e problemas nos Tribunais de Contas. A máquina pública federal continua arrecadando e inchando e ficando cada vez mais pesada, custosa, lenta e ineficaz, enquanto nos municípios a situação urbanística e social vai-se degringolando. Os governos estaduais vivem suas capitais e praticamente esquecem suas periferias e cidades interioranas.

Com conhecimento e capacidade - em termos de recursos humanos, não há estoque disponível no mercado. Quem está na iniciativa privada resiste à migrar para o público, salários e exposição de suas vidas privadas são levadas em conta; os partidos políticos perderam sua identidade ideológica e identificação política com o cidadão, hoje, boa parte dessas agremiações são muito mais uma colcha de retalhos fisiológica e estão infestadas de caciques, enquanto nas bases vivem no ostracismo ou fora de operação, encorpando-se nas eleições, e depois volta tudo como dantes no quartel de Abrantes. As cidades é que sofrem com isso, principalmente as de pequeno e médio porte, porque ao ganhar as eleições, não há quadros competentes para gerir as prefeituras.

Não bastasse o brasileiro ter de cobrir com seu suor a sanha dos maus gestores públicos, de governantes despreparados, ainda fica, em sua maioria, alheio das portas que se abrem no Brasil para o trabalho, por não ter o devido conhecimento, formação. Em termos práticos, bancamos o PIB, sustentamos a farra dos governos, e levamos de troco a precariedade e a falta de soluções nos serviços prestados, nos tornamos reféns de um país caro - já que é preciso buscar a qualidade oferecida pela iniciativa privada - onde estão os melhores serviços; e as oportunidades de trabalho bem remunerados na esfera pública ficam restritas a uma minoria que teve acesso diferenciado ao estudo. Bancamos a desigualdade, e o Governo faz a gestão desta.

É preciso que reflitamos cada vez mais sobre essa questão, que debatamos e que encontremos saídas mais igualitárias. Se somos os provedores da máquina pública, temos que ser também seu principal cliente, assim como devemos nos insurgir contra o caciquismo, ocupando espaços e disputando cargos eletivos. É preciso alternar o poder, oxigenar a coisa pública, atualizar a causa, estar e se fazer presente. É tudo nosso, mas tem sido dominado por poucos.
É o jogo!
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11h49min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br  

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA: LEITORA COMENTA

OPINIÃO DA LEITORA
( Por e-mail )
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Ref. Artigo: "Desmilitarização da Polícia"
Publicada em 18/11/13

Boa tarde, Adelson
Muito bom o seu artigo. 
Eu não acredito que seja possível desmilitarizar a polícia. Pode ser um fim, mas hoje parece algo extremamente distante da nossa realidade. A segurança pública está muito longe de ser apenas um problema da polícia, envolve diversos fatores, principalmente sociais. Portanto, a menos que se discuta com seriedade todos esses fatores e seja criada uma força tarefa para resolvê-los, considerando acima de tudo o ser humano que está nas ruas e não a imagem dos políticos que estão atrás de suas confortáveis mesas de escritório, blindados e com ar refrigerado, tirar o poder da polícia será um tremendo absurdo.


Nos tornaremos reféns dos bandidos. Ao contrário da polícia, que ainda obedece ordens, os bandidos não aceitarão de bom grado, mansamente, entregar as suas armas. Sou a favor da unificação das polícias Civil e Militar, mas com ambas armadas e bem treinadas. Aliás, eu acho que esse é exatamente o ponto a ser discutido e avaliado: A qualidade e o tempo de treinamento que são submetidos os nossos policiais. E mais, como é feito o acompanhamento das suas atividades nas ruas, dia a dia. Sobre as agressões ocorridas durante os protestos, que acredito terem sido a motivação de toda essa discussão, ressuscitando antigos casos de excessos da polícia, é preciso avaliar que não existe causa sem efeito.


Alguns participantes agiram como bandidos e mereceram uma ação mais dura da polícia. Não foram todos, é claro. Da mesma forma, não foram todos os policiais que agiram com ignorância e despreparado. Digo novamente que é preciso investir na polícia, treiná-la e equipá-la. Desmilitarizar? Só vai servir para enfraquecê-la. E quem precisa de uma polícia fraca? Fica a pergunta. É essa a minha humilde opinião.
Daniela, jornalista
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14h57min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA

 Um debate ainda insosso que mais mascara que ilumina,
que mais se impõe que dialoga

Começa a pipocar aqui e acolá conversas em separado, longe de ser dado como um debate posto de forma madura, democrática e plural nacionalmente, o que vem sendo chamado de "desmilitarização da polícia". Dada a sua importância, não tenho dúvida de que a discussão embrionária logo ganhará fóruns abertos país  adentro. Resolvi acessar parte importante do que está disposto sobre o assunto em termos de artigos, pesquisas e afins. Não há dúvida de que alguma coisa está sendo pedida - e envolve decisões políticas amadurecidas, mudança de conceito na administração pública e alterações na forma de gerir o arcabouço institucional de segurança pública do país. Decisões difíceis, diga-se.

Li o artigo de autoria do deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, sob a chamada: "Desmilitarização: há que se ter vontade política do Estado", publicado na edição n° 76 / Ano 7, na pág. 12 do 'Le Monde Diplomatique Brasil'. Aliás, li todos os outros trazidos à luz da mesma publicação, sendo também: "Os limites do modelo policial brasileiro contemporâneo", nas pág. 14 e 15, de autoria do Dr. Luis Antonio Francisco de Souza, professor universitário; outro: "Desmilitarizar as polícias: um bom começo", nas pág. 16 e 17, sob autorias institucionais - escrito a algumas mãos, cunhadas pelo DAR - Desentorpecendo a Razão, denominado como um colegiando de antiproibicionista de São Paulo, e Movimento Mães de Maio - combate a violência estatal; e, finalmente, "Desmilitarização: a reforma do modelo policial", nas pág. 18 e 19, de responsabilidade do antropólogo Luiz Eduardo Soares. Li e passo a acompanhar com reservado interesse as discussões e tramitação da PEC 51/2013 também, que trata do assunto.

Não é tarefa que se faça de maneira simplista - a de analisar os fatos em consciência crítica e ensaios técnicos e científicos, porque, dessa forma, os resultados serão sempre insatisfatórios. Mas, observei que os especialistas e demais autoridades que discutem o assunto até o momento, tomaram e tomam por base experiências isoladas - mesmo quando envolve grupos de pessoas, dados e estatísticas oficiais - normalmente recortados naquilo que lhes interessam ao embasamento de seus argumentos, invariavelmente rompantes e mais elucidações discursivas e ideologizadas que práticas, com todo respeito. Os argumentos são bons, os artigos bem elaborados e concisos, mas todos remam num lado só da correnteza, sem a publicação das divergências. E mais, o debate sobre a coisa militar está sendo dado exponencialmente pelos civis. Nada contra, é importante, mas fica - e está capenga.

Em alguns casos, o que li foi praticamente um linchamento da Polícia Militar. Ora, operacional que é, de confronto, de repressão, o que se esperava da PM, que entregasse buquê de flores ao banditismo? A inteligência da Polícia Civil deixou de ser útil por não ter previsto ou mensurado a contento esta ou aquela manifestação de ordem popular? O fato de haver pessoas se mobilizando socialmente e reivindicando publicamente, e, num caso ou outro, setores da Polícia terem reprimido com excesso de força ou falta de jeito, terá sido o motivo pelos qual devamos nos agarrar para em voz de barítono cantar em alto e bom som o fim de um modelo policial para que se faça outro, simplesmente? 

Discordo da forma como esse debate está sendo posto. E mais, vejo um elitismo nos argumentos que precisa ser sarado antes que adoeça o debate. Não formei ainda opinião sobre a "desmilitarização da polícia", porque isso seria prematuro, já que os argumentos permitidos pela mídia são definitivos em apontar um só caminho. Quero e apelo por conhecer o contraditório, outras opiniões, inclusive militares, para que possa apostar numa decisão mais amadurecida, a menos danosa dos caminhos possíveis. Se o debate está sendo imposto, que seja dialogado.

Escrito e publicado em minha coluna no jornal 'Voz da Costa Verde'
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18h58min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br

domingo, 10 de novembro de 2013

DESENVOLVIMENTO LOCAL: O DEBATE

As pessoas que não estão informadas não participam. 
Ficam indignadas e revoltadas com os problemas, 
mas não participam no sentido construtivo.” 

É preciso estar bem informado para poder lutar por uma sociedade melhor. E ter acesso a indicadores que revelam o desempenho dos municípios na área do desenvolvimento humano é fundamental. Esta é a opinião do economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Ladislau Dowbor.
O Brasil tem 5.565 municípios, e pode ter acréscimos importantes com as novas discussões em torno da aprovação de novas cidades. Há nas Assembleias Legislativas estaduais uma penca de petições nesse sentido, assim como há distritos inteiros em várias cidades brasileiras mobilizados -e outros tantos se mobilizando para buscar o desmembramento e sua devida emancipação. O fato é que, segundo as principais emendas apresentadas na Câmara dos Deputados - em debates mais recentes, haverá a necessidade de apresentação de Estudos prévios de Viabilidade Econômica, que teria que passar pela análise de instituições como o Ipea, por exemplo. De certa forma, este é um limitador, restringe, mas não estanca a sanha.
Texto do Pnud:
Promover políticas públicas descentralizadas sobre desenvolvimento local, melhorando as condições e a qualidade de vida nos territórios. Esta foi uma das mensagens centrais enviadas aos governos nacionais durante 2º Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, realizado na semana passada (29/10 a 01/11), em Foz do Iguaçu (PR). Mais de três mil pessoas de quase 70 países estiveram presentes no evento.

O desenvolvimento econômico local não é apenas uma alternativa viável, mas um complemento indispensável para obter uma trajetória de crescimento mais dinâmica e sustentável, defendeu Rebeca Grynspan, subsecretária-geral da ONU e vice-diretora mundial do PNUD. “É importante conectar o regional com o nacional, sem cair no erro de ter políticas locais e nacionais que se contraponham, complementa.
Leia mais: http://ow.ly/qyIZm

OPINIÃO
> Considerando a análise da Confederação Nacional dos Municípios-CNM de que somente 6% de tudo o que se arrecada no país é que são destinados às Prefeituras;
> Considerando que nas discussões mais recentes - que estão acontecendo em Brasília por um novo Pacto Federativo, só está garantindo assento aos governadores, razão pela qual entidades municipalistas como a Frente Nacional dos Prefeitos-FNP requer espaço no debate;
> Considerando que as maiores prefeituras, a despeito de terem os maiores orçamentos, são também as que recebem mais repasses extraordinários de convênios, em muitos dos casos pelo fato de apresentarem-se com os melhores e mais bem elaborados projetos, que não haveria como ser diferente, visto que a maioria dos municípios brasileiros carece de pessoal qualificado para tanto, resta claro haver injustiça nessa distribuição orçamentária;
Enfim, é por tudo isso - e mais uma porção de outras coisas que considero fundamental que essa conversa tenha sido novamente trazida à luz por tão importantes personalidades e instituições. Minha dúvida é só sobre as razões pelas quais esse papo chegou ao balcão das boas ideias agora, às portas de uma eleição municipal, no que espero honestamente ter sido apenas uma terrível e manjada coincidência. Acompanhemos os desdobramentos.
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12h46min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

AFINAL, É SÓ UMA PONTE

Recebido por e-mail


Veja como a matemática pode ser cruel


Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões. Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre , uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhões.

Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto numérico resumido no quadro abaixo:
Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.

Corruptos existem nos dois países, mas só o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer na China uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento daria graças aos deuses se o castigo se limitasse à demissão. Dia 19/07/11, o Tribunal chinês sentenciou a execução de dois prefeitos que estavam envolvidos em desvio de verba pública.

(Adotada esta prática no Brasil, teríamos que eleger um Congresso por ano)
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21h40min.    -     adelsonpimenta@ig.com.br

terça-feira, 15 de outubro de 2013

SAADI: BASEADO EM FATOS REAIS

Conversei - via fone - há pouco com o amigo Leandro Saadi, que é piloto de paramotor - profissão pela qual se especializou em fotografias aéreas de altíssima qualidade, com larga bagagem em trabalhos de monitoramento fotográfico aéreo, guia ambiental e serviços de guarda-parques. Saadi acaba de chegar de uma tremenda aventura, em que registrou com precisão de imagens e áudio a mais nova expedição de seu amigo Lu Marini, também reconhecido piloto de paramotor, "Rastreando a Transamazônica"que teve como objetivo sobrevoar em uma aeronave experimental a maior distância possível da Rodovia mais polêmica do Brasil, a BR 230, conhecida como Transamazônica.
A expedição teve início no dia 16 de agosto na cidade de Cabedelo - PB, onde está localizado o marco zero da rodovia. Foram 40 dias sobrevoando 7 estados e 63 municípios, em um trajeto com mais de 4.000 km, muitas histórias, encontros surpreendentes e imagens espetaculares, conforme relata Lu Marini. Depois de passar pelos estados da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas, Lu Marini fez seu último pouso na cidade de Lábrea, pequeno município localizado as margens do rio Purus e onde termina a Transamazônica. Para a realização desse grande projeto foram 10 meses de planejamento, com estudo de rota, plano de vôo, situações de resgate, meteorologia, envolvendo mais de 10 profissionais. 

Desculpados os cortes necessários nas edições, de algum modo foi possível ver as coisas pelas lentes do programa Fantástico - da TV Globo. Mas, eu os convido ao site onde há maior riqueza de detalhes dessa expedição impressionante que deverá, se de depender da vontade de Leandro e Marini, se transformar num documentário e num livro, com os resultados desse trabalho.
Acesse aqui: aventurafantastica 

Além do registro desse grande achado de nossa história e geografia nacional, Leandro me contou que acaba de aprovar, pela Lei Rouanet, o projeto de um livro fotográfico sobre São Sebastião, cidade do Litoral Norte de São Paulo, com foco nas áreas ambientais, já publicado no Diário Oficial. Agora, está em fase de estabelecer parcerias com empresas que apostem no projeto. Pela lei, a empresa que investir terá 4% de abatimento sobre o seu percentual total de desconto de Imposto de Renda de sua empresa, ou seja, da integralidade de seu desconto, 4% será pelo incentivo ao livro. Esse é o estímulo que a lei dá aos empresários. Os custos estão estimados em R$ 318 mil, que envolve tiragem , produção e impressão, divulgação e eventos de lançamento e publicidade do material. 

Neste livro, Saadi quer mostrar um lado de São Sebastião que é menos conhecido do público,  o preservado de mata, demonstrando que as belezas naturais da cidade vão além das praias - e que podem ser exploradas sem depredações, mas, acima de tudo, o arquivo fotográfico serve de alerta para que as autoridades façam gestão de preservação desses lugares. Diversas atividades de turismo e pesquisas podem ser executadas nesses lugares, de maneira que a cidade só tem a ganhar com este livro. Saadi tem fotos exclusivas e conhecimento prático da região, de maneira que os interessados na preservação desses recursos e belezas naturais ganharão muito com este registro.

Para quem quiser conversar um pouco mais com Leandro e conhecer o projeto, destaco que o livro conterá o(s) nome(s) da(s) empresa(s) que se tornar(em) parceira(s) na viabilização desse grande projeto de conteúdo fotográfico, com 30% narrativo, o que conferirá um valor agregado interessante de responsabilidade social e sustentabilidade à sua marca. 

Os contatos de Leandro são:
E-mail: leandrosaadi@gmail.com
Fone: (12) 7812-5825  /  Id: 90*18734
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15h08min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

POR QUE PAGAMOS MAIS CARO NO BRASIL?

Artigo da revista 'Época'
Autor: Ricardo Amorim


A diferença de preços do Brasil com o resto do mundo é impressionante. Do restaurante aos eletrônicos, quase tudo é mais caro aqui.

Razões não faltam, começando pelos impostos. Uma das cargas tributárias mais elevadas do planeta, particularmente concentrada sobre consumo e produção, encarece tudo que é feito e comprado aqui.

Impostos não explicam todas as distorções. Também as margens de lucros são mais elevadas. A esquerda culpa a ganância dos empresários pelas gordas margens. A explicação está equivocada. Sim, empresários querem cobrar mais por seus produtos e serviços. Se você pudesse dobrar seu salário, não dobraria?

A pergunta é: por que conseguem cobrar mais aqui? Por que aceitamos pagar mais? Apesar dos avanços desde 1994, adistribuição de renda no Brasil ainda é das piores. Grande concentração gera uma valorização de status nas compras. Demarcam-se as diferenças através do consumo, mesmo que para isso tenha-se que pagar mais. Comprar determinado carro, celular ou iogurte “separa” seus consumidores das classes sociais “abaixo” deles.

A explicação mais importante, porém, não é esta. A baixa competição, a dificuldade de se fazer negócio e o risco mais elevado da atividade empresarial pesam mais.

Burocracia absurda, corrupção, carga tributária elevada, regime tributário complexo, infraestrutura ruim,mão de obra cara e despreparada dificultam a vida das empresas, aumentando o risco de seus investimentos. Com risco maior, empresários reduzem investimentos e, por consequência, a competição. Com menos competição, inclusive com importados – o Brasil é o país com menor taxa de importação de produtos e serviços no planeta – é possível subir preços e aumentar margens de lucro.

Nos últimos anos, as margens no país caíram. Em muitos setores, empresas não conseguiam repassar integralmente aumentos de custos de mão de obra e matéria primas aos preços porque uma competição crescente não permitiu.

A competição aumentou porque a crise no mundo desenvolvido estimulou as empresas a buscarem os grandes mercados emergentes. Somou-se a isso um forte crescimento do consumo no país impulsionado pelo aumento da renda e do crédito. Com mercado maior, cresceram os investimentos produtivos e a competição, reduzindo as margens de lucro. Até aí, ótimo.

Acontece que nos últimos trimestres, tal movimento se reverteu. Desvalorizar o Real encareceu importações, inclusive de máquinas e equipamentos, diminuindo a competição e reduzindo investimentos no país.

Além disso, ao atacar bancos e empresas de energia elétrica para reduzir rapidamente suas margens de lucro, o governo aumentou o risco dos negócios nesses e em outros setores, que temem medidas semelhantes. Com rentabilidade menor e riscos maiores, investimentos caíram, o que, através da redução da competição, vai aumentar margens de lucros e encarecer preços nos próximos anos. Em economia, às vezes os resultados são o inverso das intenções.

Antes de usar os bancos estatais para pressionar os demais a reduzirem juros – um objetivo louvável, buscado de forma ineficiente – a lucratividade média do setor bancário brasileiro era a segunda mais baixa das Américas, atrás apenas dos EUA, ao contrário do que supõe a maioria. Venezuela e Argentina, onde os governos mais “perseguem” bancos, eram os países com os bancos mais lucrativos.

Para reduzir margens e preços, o governo precisa eliminar a burocracia, simplificar a legislação, estimular a competição, evitar o protecionismo, reduzir impostos, inclusive sobre importados e incentivar investimentos. O benefício será dos consumidores.

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.
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SIGILO FISCAL?

Autor: Sivio Caccia Bava


Quem ficou sabendo que o governo federal abriu mão de cobrar R$ 1 trilhão de impostos lançados na dívida ativa da União, devidos principalmente por grandes empresas, públicas e privadas?

Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a provisão, em 2013, para perdas lançada na dívida ativa da União é de R$ 966.413.275.095,20, quase R$ 1 trilhão. E a dívida ativa da União, em setembro deste ano, totalizava R$ 1,35 trilhão. Considerar mais de 70% da dívida impagável é uma mudança radical de postura que vem de 2012. As provisões para perdas em 2008 não ultrapassavam 10% do total da dívida ativa.1

Mesmo reconhecendo falhas no sistema, apontadas por auditoria da Controladoria Geral da União, o que ressalta no relatório da CGU é que todos os órgãos envolvidos – Receita Federal, Ministério do Trabalho, Secretaria do Patrimônio da União – também são responsáveis pelas falhas identificadas e, mais grave, deixam o sistema vulnerável a fraudes.2

Quem decidiu que há devedores que não podem pagar? Que devedores se beneficiam dessa nova política? Isso foi decidido nos meandros burocráticos do governo, longe do debate público. Em nome de uma legislação que defende o sigilo fiscal das empresas, os principais devedores da União são mantidos no anonimato, protegidos por uma atitude do governo que ultrapassa em muito o que a legislação define. O centro da questão é a democracia. Por mais bem-intencionado que seja, não pode ser um grupo de técnicos que decida abrir mão da cobrança de R$ 1 trilhão.

Um trilhão de reais é muita coisa. Dá para transformar a vida dos brasileiros. Dá para melhorar muito a infraestrutura urbana para uma boa vida nas cidades. O jornal Valor Econômico estima que as demandas das ruas exijam investimentos de R$ 115 bilhões por ano.3

Essa mesma postura de assegurar o sigilo fiscal para preservar a imagem das empresas que são devedoras de impostos é assumida também pela Prefeitura Municipal de São Paulo, que se recusa a informar quais são as vinte empresas com os maiores débitos de impostos municipais. A dívida ativa do município é de R$ 55 bilhões.

Como conselheiro da cidade, solicitei essas informações e a resposta da Secretaria de Finanças foi de que os dados das empresas não são passados porque são protegidos pelo sigilo fiscal. E isso é mantido mesmo com a nova lei de acesso à informação. Os nomes das empresas são protegidos.

Consultei escritórios renomados de advocacia, que me esclareceram: depois da condenação da dívida, não há mais sigilo fiscal. A Secretaria de Finanças do município de São Paulo, assim como os órgãos federais responsáveis pela dívida ativa da União exorbitam ao negar essas informações. As execuções fiscais são públicas. Por isso, ainda que exista sigilo na fase administrativa, na fase judicial já não se fala em sigilo.

Durante décadas foi construída uma institucionalidade feita para separar a economia da política. A autonomia do Banco Central é a joia da coroa. A economia é dirigida para alavancar a acumulação e beneficiar especialmente os grandes bancos. A política serve para administrar as pressões sociais e garantir o status quo.

Nos últimos anos, a sonegação de impostos só vem crescendo. E a impunidade favorece esse comportamento. Hoje temos uma carga tributária de 35% do PIB, e especialistas dizem que, se não houvesse sonegação, poderíamos baixá-la para 20% e ainda haveria superávit.

Inverter essa lógica é o grande desafio. Para priorizar o interesse público sobre os interesses do mercado, a economia deve se submeter ao planejamento e ao controle democrático. E o governo deve cobrar das empresas os impostos devidos. Eles são creches, escolas, salários melhores para os professores, melhores transportes coletivos e muito mais.

A disputa é para revigorar as instituições democráticas. É para ampliá-las, acolher novos atores e criar novas instâncias de participação cidadã e controle social, inclusive sobre as finanças públicas. Os nomes das empresas sonegadoras, assim como a natureza e o montante de seus débitos com o poder público, devem ser de conhecimento de todos. Os governos eleitos são responsáveis por assegurar essa postura de transparência.

Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
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15h01min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

NUNCA ESTIVEMOS TÃO BAIXO

Artigo publicado no 'Valor Econômico' (30/09/13)
Autor: Renato Janine Ribeiro

Créditos da fotoimagem: 'agoragrega' (site)

O Brasil chegou ao fundo do poço, em termos de debate político. Não lembro nenhuma época das três décadas, desde a democratização de 1985, em que tenhamos estado tão baixo. Nunca tantos brasileiros tiveram acesso a um veículo como a internet, que transmite tantas informações e proporciona uma participação assim ativa no debate, por meio das redes sociais - e, no entanto, nunca foi tão estéril a discussão de ideias e projetos para a sociedade. Para quem esperou que a rede de computadores constituísse uma ágora - o nome grego para a praça na qual o povo reunido debatia e decidia as questões políticas - a frustração é enorme. Nossa democracia sobrevive, mas graças mais aos tribunais do que ao povo ou à mídia. Digo isso com tristeza.

Nossa lei eleitoral contém disposições que inibem a boa vida política. Não discuto aqui certas macroquestões, como o voto distrital ou o proporcional, mas regras simples, porém muito equivocadas.

Está na lei - e deverá continuar na lei, diante do boicote do PT na Câmara até mesmo a microrreforma eleitoral - que, se um candidato eleito a cargo majoritário for condenado pela Justiça Eleitoral, seus votos serão anulados, dando-se posse a seu adversário derrotado nas urnas. Isso vai contra a essência da democracia, que consiste no poder do povo, expresso pelo voto da maioria. O candidato vitorioso teve a maioria dos votos, relativa ou absoluta. Se esse contingente de sufrágios é cassado, o poder irá para um candidato perdedor. Essa insanidade já prejudicou tudo que é partido, seja o PT (caso de Mauá/SP), o PSDB (a Paraíba), ou o PDT (o Maranhão). Mas, está na lei, e a Justiça Eleitoral aplica-a. A regra é escandalosa. Entendo-a como inconstitucional, pois afronta um princípio essencial da democracia, mas a culpa maior pela violação do princípio democrático é do Legislativo, mais do que do Judiciário.

Também está na lei que a campanha eleitoral só pode começar depois da convenção que indique o candidato do partido. Em tese, os convencionais se reúnem sem saberem quem quer candidatar-se...E assim fingimos que Marina Silva, Aécio Neves, Eduardo Campos ou Dilma ainda não são candidatos. É uma bobagem sem fim. Imaginemos que alguém, hoje, queira concorrer a presidente em 2018. Não pode sair por aí dizendo isso. Mas por que não? Que mal faria alguém ter esse capricho?

Não espanta. A sociedade brasileira não tem o gosto norte-americano pelo debate público. Basta ver o júris cá e lá. Nos Estados Unidos, quando se reúne o conselho de sentença, a discussão rola solta. Quase sempre se exige unanimidade, para condenar ou absolver. Eles discutem até chegar a um acordo. Se não chegam, o julgamento é anulado e, se for possível, convoca-se outro. Mas geralmente uma parte convence a outra. Por isso mesmo, o júri norte-americano dá excelentes filmes de suspense.

Mas é impossível rodar um filme sobre o júri brasileiro. Quando o juiz reúne os jurados, reina o silêncio. Qualquer debate levaria à anulação do processo. Os jurados recebem as cédulas "sim" ou "não", escolhe uma sem deixar os outros a verem, e colocam na urna. Não se quer a geração coletiva de uma decisão, apela-se à consciência íntima de cada um. É como se pedíssemos a cada jurado que um espírito viesse iluminá-lo. Disso se espera uma decisão justa - da falta de discussão. É como se tivéssemos medo do debate, receando que os mais hábeis manipulem os menos. Em outras palavras, chamamos a livre expressão, a discussão pública, a ágora grega de mera manipulação.

Num país de escassa formação para o debate, espanta que a política seja tomada pelo ódio, e que os dois lados do espectro partidário ajam como Bourbons? Cito a anedota de Stendhal: em 1815, quando as dinastias depostas retornaram ao trono da França e de outros países, elas voltaram "sem esquecer nada, sem aprender nada". Assim funciona nossa discussão política, ou melhor, sua ausência.

Entre os critérios que o "Economist" usa para medir a qualidade das democracias estão as instituições, a cultura política e a mobilização política. No relatório de 2012, nossas instituições receberam nota elevada, enquanto os dois outros quesitos pontuaram mal. Este ano subirá nossa nota em mobilização, graças ao povo que tomou as ruas cobrando maior qualidade do Estado. Mas a cultura política continua baixa. Em 2014 a Justiça Eleitoral coibirá abusos no horário gratuito, conterá parte do uso da máquina governamental e barrará os fichas-suja. Mais que isso não pode fazer. O problema somos nós, cidadãos, eleitores, que não fazemos nossa parte.

O que propor? Algo que parece ingênuo, mas que é básico do ponto de vista ético. Homens e mulheres de boa vontade., empenhados em melhorar nosso quadro político, deveriam assegurar um debate de qualidade.. Isso não é abrir mão de convicções políticas, mas é reconhecer que há gente decente dos dois grandes lados de nosso espectro partidário, e que a vitória esmagadora de uma parte não é possível - nem desejável. Isso exige evitar palavras grosseiras, como petralha e tucanalha, que desqualificam em bloco muitas pessoas boas que fazem trabalho bom. Isso significa, sobretudo, fazer uso bom - e não mau - da vantagem histórica que é ter, desde 1994, disputando os principais cargos do país, dois partidos acima da média, PSDB e PT - e, este ano ou em breve, a Rede.

Comparem isso a qualquer momento de nossa história anterior. Não podemos desperdiçar as conquistas das últimas décadas. Desde 1985 estamos construindo uma democracia sustentável. Mas precisamos que ela não fique só nas instituições, que se enraíze nos corações.
Renato Janine Ribeiro, é professor titular de ética e filosofia política na USP.
E-mail: rjanine@usp.br
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