segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

BANCAMOS A DESIGUALDADE...


De acordo com especialistas do iFHC, o setor público fica com 36,5% do PIB brasileiro. O Estado não investe sequer adequadamente em infraestrutura, os valores empreendidos não chegam a nem um terço desse percentual. O país alcançou elevado nível de produção, e escoa com extrema dificuldade essa riqueza material. Podia e devia investir mais. Talvez por intrincadas equações políticas sobre a gestão, pois o juro sobre a dívida interna, os gastos com pessoal e com a máquina administrativa consomem a maior parcela dos recursos, e tais investimentos não tem sido feitos na supressão da demanda. Na verdade, o chamado custo-Brasil devia ser chamado por custo-Governo. 

Números já são complexos quando misturados, ainda mais quando isso exige critérios de contabilidade e economia pública. Municipalista que sou - por convicção, segundo um estudo da Confederação Nacional dos Municípios - CNM, de tudo o que se arrecada no país, somente 6% vai para os municípios. A mesma entidade assegura que em 2012 praticamente 64% dos municípios brasileiros fecharam seu ano fiscal com pendências - e problemas nos Tribunais de Contas. A máquina pública federal continua arrecadando e inchando e ficando cada vez mais pesada, custosa, lenta e ineficaz, enquanto nos municípios a situação urbanística e social vai-se degringolando. Os governos estaduais vivem suas capitais e praticamente esquecem suas periferias e cidades interioranas.

Com conhecimento e capacidade - em termos de recursos humanos, não há estoque disponível no mercado. Quem está na iniciativa privada resiste à migrar para o público, salários e exposição de suas vidas privadas são levadas em conta; os partidos políticos perderam sua identidade ideológica e identificação política com o cidadão, hoje, boa parte dessas agremiações são muito mais uma colcha de retalhos fisiológica e estão infestadas de caciques, enquanto nas bases vivem no ostracismo ou fora de operação, encorpando-se nas eleições, e depois volta tudo como dantes no quartel de Abrantes. As cidades é que sofrem com isso, principalmente as de pequeno e médio porte, porque ao ganhar as eleições, não há quadros competentes para gerir as prefeituras.

Não bastasse o brasileiro ter de cobrir com seu suor a sanha dos maus gestores públicos, de governantes despreparados, ainda fica, em sua maioria, alheio das portas que se abrem no Brasil para o trabalho, por não ter o devido conhecimento, formação. Em termos práticos, bancamos o PIB, sustentamos a farra dos governos, e levamos de troco a precariedade e a falta de soluções nos serviços prestados, nos tornamos reféns de um país caro - já que é preciso buscar a qualidade oferecida pela iniciativa privada - onde estão os melhores serviços; e as oportunidades de trabalho bem remunerados na esfera pública ficam restritas a uma minoria que teve acesso diferenciado ao estudo. Bancamos a desigualdade, e o Governo faz a gestão desta.

É preciso que reflitamos cada vez mais sobre essa questão, que debatamos e que encontremos saídas mais igualitárias. Se somos os provedores da máquina pública, temos que ser também seu principal cliente, assim como devemos nos insurgir contra o caciquismo, ocupando espaços e disputando cargos eletivos. É preciso alternar o poder, oxigenar a coisa pública, atualizar a causa, estar e se fazer presente. É tudo nosso, mas tem sido dominado por poucos.
É o jogo!
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11h49min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br