sexta-feira, 22 de novembro de 2013

DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA: LEITORA COMENTA

OPINIÃO DA LEITORA
( Por e-mail )
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Ref. Artigo: "Desmilitarização da Polícia"
Publicada em 18/11/13

Boa tarde, Adelson
Muito bom o seu artigo. 
Eu não acredito que seja possível desmilitarizar a polícia. Pode ser um fim, mas hoje parece algo extremamente distante da nossa realidade. A segurança pública está muito longe de ser apenas um problema da polícia, envolve diversos fatores, principalmente sociais. Portanto, a menos que se discuta com seriedade todos esses fatores e seja criada uma força tarefa para resolvê-los, considerando acima de tudo o ser humano que está nas ruas e não a imagem dos políticos que estão atrás de suas confortáveis mesas de escritório, blindados e com ar refrigerado, tirar o poder da polícia será um tremendo absurdo.


Nos tornaremos reféns dos bandidos. Ao contrário da polícia, que ainda obedece ordens, os bandidos não aceitarão de bom grado, mansamente, entregar as suas armas. Sou a favor da unificação das polícias Civil e Militar, mas com ambas armadas e bem treinadas. Aliás, eu acho que esse é exatamente o ponto a ser discutido e avaliado: A qualidade e o tempo de treinamento que são submetidos os nossos policiais. E mais, como é feito o acompanhamento das suas atividades nas ruas, dia a dia. Sobre as agressões ocorridas durante os protestos, que acredito terem sido a motivação de toda essa discussão, ressuscitando antigos casos de excessos da polícia, é preciso avaliar que não existe causa sem efeito.


Alguns participantes agiram como bandidos e mereceram uma ação mais dura da polícia. Não foram todos, é claro. Da mesma forma, não foram todos os policiais que agiram com ignorância e despreparado. Digo novamente que é preciso investir na polícia, treiná-la e equipá-la. Desmilitarizar? Só vai servir para enfraquecê-la. E quem precisa de uma polícia fraca? Fica a pergunta. É essa a minha humilde opinião.
Daniela, jornalista
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14h57min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA

 Um debate ainda insosso que mais mascara que ilumina,
que mais se impõe que dialoga

Começa a pipocar aqui e acolá conversas em separado, longe de ser dado como um debate posto de forma madura, democrática e plural nacionalmente, o que vem sendo chamado de "desmilitarização da polícia". Dada a sua importância, não tenho dúvida de que a discussão embrionária logo ganhará fóruns abertos país  adentro. Resolvi acessar parte importante do que está disposto sobre o assunto em termos de artigos, pesquisas e afins. Não há dúvida de que alguma coisa está sendo pedida - e envolve decisões políticas amadurecidas, mudança de conceito na administração pública e alterações na forma de gerir o arcabouço institucional de segurança pública do país. Decisões difíceis, diga-se.

Li o artigo de autoria do deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, sob a chamada: "Desmilitarização: há que se ter vontade política do Estado", publicado na edição n° 76 / Ano 7, na pág. 12 do 'Le Monde Diplomatique Brasil'. Aliás, li todos os outros trazidos à luz da mesma publicação, sendo também: "Os limites do modelo policial brasileiro contemporâneo", nas pág. 14 e 15, de autoria do Dr. Luis Antonio Francisco de Souza, professor universitário; outro: "Desmilitarizar as polícias: um bom começo", nas pág. 16 e 17, sob autorias institucionais - escrito a algumas mãos, cunhadas pelo DAR - Desentorpecendo a Razão, denominado como um colegiando de antiproibicionista de São Paulo, e Movimento Mães de Maio - combate a violência estatal; e, finalmente, "Desmilitarização: a reforma do modelo policial", nas pág. 18 e 19, de responsabilidade do antropólogo Luiz Eduardo Soares. Li e passo a acompanhar com reservado interesse as discussões e tramitação da PEC 51/2013 também, que trata do assunto.

Não é tarefa que se faça de maneira simplista - a de analisar os fatos em consciência crítica e ensaios técnicos e científicos, porque, dessa forma, os resultados serão sempre insatisfatórios. Mas, observei que os especialistas e demais autoridades que discutem o assunto até o momento, tomaram e tomam por base experiências isoladas - mesmo quando envolve grupos de pessoas, dados e estatísticas oficiais - normalmente recortados naquilo que lhes interessam ao embasamento de seus argumentos, invariavelmente rompantes e mais elucidações discursivas e ideologizadas que práticas, com todo respeito. Os argumentos são bons, os artigos bem elaborados e concisos, mas todos remam num lado só da correnteza, sem a publicação das divergências. E mais, o debate sobre a coisa militar está sendo dado exponencialmente pelos civis. Nada contra, é importante, mas fica - e está capenga.

Em alguns casos, o que li foi praticamente um linchamento da Polícia Militar. Ora, operacional que é, de confronto, de repressão, o que se esperava da PM, que entregasse buquê de flores ao banditismo? A inteligência da Polícia Civil deixou de ser útil por não ter previsto ou mensurado a contento esta ou aquela manifestação de ordem popular? O fato de haver pessoas se mobilizando socialmente e reivindicando publicamente, e, num caso ou outro, setores da Polícia terem reprimido com excesso de força ou falta de jeito, terá sido o motivo pelos qual devamos nos agarrar para em voz de barítono cantar em alto e bom som o fim de um modelo policial para que se faça outro, simplesmente? 

Discordo da forma como esse debate está sendo posto. E mais, vejo um elitismo nos argumentos que precisa ser sarado antes que adoeça o debate. Não formei ainda opinião sobre a "desmilitarização da polícia", porque isso seria prematuro, já que os argumentos permitidos pela mídia são definitivos em apontar um só caminho. Quero e apelo por conhecer o contraditório, outras opiniões, inclusive militares, para que possa apostar numa decisão mais amadurecida, a menos danosa dos caminhos possíveis. Se o debate está sendo imposto, que seja dialogado.

Escrito e publicado em minha coluna no jornal 'Voz da Costa Verde'
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18h58min.    -   adelsonpimenta@ig.com.br

domingo, 10 de novembro de 2013

DESENVOLVIMENTO LOCAL: O DEBATE

As pessoas que não estão informadas não participam. 
Ficam indignadas e revoltadas com os problemas, 
mas não participam no sentido construtivo.” 

É preciso estar bem informado para poder lutar por uma sociedade melhor. E ter acesso a indicadores que revelam o desempenho dos municípios na área do desenvolvimento humano é fundamental. Esta é a opinião do economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Ladislau Dowbor.
O Brasil tem 5.565 municípios, e pode ter acréscimos importantes com as novas discussões em torno da aprovação de novas cidades. Há nas Assembleias Legislativas estaduais uma penca de petições nesse sentido, assim como há distritos inteiros em várias cidades brasileiras mobilizados -e outros tantos se mobilizando para buscar o desmembramento e sua devida emancipação. O fato é que, segundo as principais emendas apresentadas na Câmara dos Deputados - em debates mais recentes, haverá a necessidade de apresentação de Estudos prévios de Viabilidade Econômica, que teria que passar pela análise de instituições como o Ipea, por exemplo. De certa forma, este é um limitador, restringe, mas não estanca a sanha.
Texto do Pnud:
Promover políticas públicas descentralizadas sobre desenvolvimento local, melhorando as condições e a qualidade de vida nos territórios. Esta foi uma das mensagens centrais enviadas aos governos nacionais durante 2º Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, realizado na semana passada (29/10 a 01/11), em Foz do Iguaçu (PR). Mais de três mil pessoas de quase 70 países estiveram presentes no evento.

O desenvolvimento econômico local não é apenas uma alternativa viável, mas um complemento indispensável para obter uma trajetória de crescimento mais dinâmica e sustentável, defendeu Rebeca Grynspan, subsecretária-geral da ONU e vice-diretora mundial do PNUD. “É importante conectar o regional com o nacional, sem cair no erro de ter políticas locais e nacionais que se contraponham, complementa.
Leia mais: http://ow.ly/qyIZm

OPINIÃO
> Considerando a análise da Confederação Nacional dos Municípios-CNM de que somente 6% de tudo o que se arrecada no país é que são destinados às Prefeituras;
> Considerando que nas discussões mais recentes - que estão acontecendo em Brasília por um novo Pacto Federativo, só está garantindo assento aos governadores, razão pela qual entidades municipalistas como a Frente Nacional dos Prefeitos-FNP requer espaço no debate;
> Considerando que as maiores prefeituras, a despeito de terem os maiores orçamentos, são também as que recebem mais repasses extraordinários de convênios, em muitos dos casos pelo fato de apresentarem-se com os melhores e mais bem elaborados projetos, que não haveria como ser diferente, visto que a maioria dos municípios brasileiros carece de pessoal qualificado para tanto, resta claro haver injustiça nessa distribuição orçamentária;
Enfim, é por tudo isso - e mais uma porção de outras coisas que considero fundamental que essa conversa tenha sido novamente trazida à luz por tão importantes personalidades e instituições. Minha dúvida é só sobre as razões pelas quais esse papo chegou ao balcão das boas ideias agora, às portas de uma eleição municipal, no que espero honestamente ter sido apenas uma terrível e manjada coincidência. Acompanhemos os desdobramentos.
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12h46min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

AFINAL, É SÓ UMA PONTE

Recebido por e-mail


Veja como a matemática pode ser cruel


Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões. Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre , uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhões.

Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto numérico resumido no quadro abaixo:
Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.

Corruptos existem nos dois países, mas só o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer na China uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento daria graças aos deuses se o castigo se limitasse à demissão. Dia 19/07/11, o Tribunal chinês sentenciou a execução de dois prefeitos que estavam envolvidos em desvio de verba pública.

(Adotada esta prática no Brasil, teríamos que eleger um Congresso por ano)
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21h40min.    -     adelsonpimenta@ig.com.br