sábado, 23 de agosto de 2014

O ELEITOR TIROU TODOS DA ZONA DE CONFORTO.


Quando o presidenciável Eduardo Campos e a Marina Silva se entenderam pela aliança, pós insucesso da criação do Rede Sustentabilidade, de certo modo, convenientemente, todos -, absolutamente todos com alguma chance de aparecer na foto da disputa eleitoral deste ano à Presidência da República, cada qual com seu quinhão de interesse, se deu por satisfeito. 

As pesquisas de opinião pública demonstravam que Dilma provavelmente iria ao segundo turno. Aécio também. Eduardo, sabia de suas limitações eleitorais neste ano, mas fazia contas diferente, já que fazer acrescer sua bancada nos estados e no Congresso Nacional era uma meta - um gatilho para um projeto que se mostraria cada vez mais audacioso e possível mais à frente. É o que se supõe. Ao menos é o que intuo. 

À Marina, ora bola, cabia o papel de manter-se em evidência, porque ficar de fora poderia ser sua morte por inanição política. 

Todos, por esta linha de raciocínio, gozavam de lucros nesta eleição, lucros políticos, antes mesmo da abertura das urnas. Uma zona de conforto que foi sacudida com a abrupta e trágica morte de Eduardo Campos. O acaso, sempre ele, capaz de fazer mirabolantes planos de engenharia virem ao chão, foi também o fator que fez fosso entre o que se tinha ao alcance da vista e a manutenção do status quo.

Com nome posto na linha de frente, Marina foi sondada pelas pesquisas de opinião pública. É bem verdade que o momento era o de comoção pela tragédia. Mas, e daí. Ela foi alçada à condição de postulante altamente competitiva, com votos que - em tese - não era para ninguém. Ela foi contemplada com a intenção de voto que pertence ao eleitor que não havia se decidido por nenhum dos outros nomes ainda. Foi o que bastou.

O resultado dessa pesquisa foi imediatamente aferido por outras tantas sondagens para consumo interno dos partidos e seus estrategistas. Todos confirmam os dados mais recentemente divulgados. Isso fez sacudir os alicerces em que estão amparados os tais "interesses" de cada grupo concorrente nesta eleição. 

Todos saíram - ou tiveram forçadamente que saírem da zona de conforto. 
O eleitor é capaz de surpreender, antes mesmo de ir às urnas.
Créditos: Frase-arte: conversasinteligentes
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22h06min.    -      adelsonpimenta@ig.com.br