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Foto: Google/Portal Terra
Há, inegavelmente, um novo ciclo social ocorrendo no país, que é o despertar do cidadão para a coisa pública, mas não necessariamente já seja o ápice de toda a população. Com essa extraordinária novidade, é possível dizer que aumentou a consciência cívica e/ou o senso crítico de cada um? Trata-se de uma pergunta em que não cabe pressa na resposta. O Governo se adiantou em falar em "ascensão social", chamando de "uma nova classe média", portanto, mais exigente. Faz sentido, mas não entendo que uma avaliação tão simplista diga sobre o conjunto da obra.
O fato é que borbulha em cidades menores hoje o que foi, de certo modo, germinado nas grandes capitais do país, principalmente com aula inaugural nas manifestações de junho do ano passado, 2013, tendo começado pelo tamanho de R$ 0,20 em São Paulo, chegando a tamanho e valores que não se pode calcular hoje. Segundo o advogado do ativista preso que lançou um rojão e matou o cinegrafista da Band, há pro-labore de partidos e políticos para "manifestantes" que se mascaram e faz proliferar a desordem urbana, a balbúrdia com tinta de "manifestações".
Há especialistas debruçados sobre essa questão pesquisando e estudando o que alguns já chamam de fenômeno. Há gente sem esse grau de introspecção e capacidade técnica ou científica fazendo sua parte, tocando a corneta, segurando o bumbo, ajudando a repercutir o eco das "vozes das ruas". Tudo isso é salutar, é ingrediente da democracia.
Há excessos? É claro. Mas, vejam, até isso só cabe na óptica de uns, enquanto que para outros, inclua-se aí parte da elite intelectual e artística do país, é moda, é legítimo. Eu creio em revoluções, mas cada qual em seu contexto, porquanto, talvez por excesso meu de preciosismo, creio ser possível nos dias atuais revolucionar sem ter que cometer crimes. As ideias chamam hoje muito mais atenção que as vidraças estilhaçadas por pedras arremessadas por quem quer se fazer ouvir, influir, mudar o rumo das coisas, porque se o caminho do entendimento não for o da prosa, da confabulação, não serão então soluções consensuais que se busca; talvez a imposição. Mas isso tem odor e não cheiro de democracia.
Tenho refletido muito sobre isso. Não estamos em guerra, isso é semântica, estamos em luta - e por uma causa, não para criar caso simplesmente. Há coisas que não acontecem sem esforço, e a união dos brasileiros reivindicando melhorias na coisa e no trato público é louvável, há que se entusiasmar. Novos tempos, ainda bem. Mas, não nos esqueçamos que vencemos uma noite negra nessa nação que durou mais de 20 anos, homens tombaram, sangue foi jorrado ao chão, vozes foram silenciadas e crimes foram cometidos para que tivéssemos hoje o gozo de liberdades. O aperfeiçoamento dessas conquistas é o nosso desafio atual, porquanto, as armas, a tática e o modus operand devem ser também atualizados. Há várias formas de pressionar, exigir, encostar na parede, sem ter que usar da violência que tira a vida de outra pessoa.
Avancemos em luta, na labuta, sem perder o foco de nossa cidadania tão cara à nossa gente. Todos os canais de diálogo institucional, social, partidário, político e pessoal estão desobstruídos, o voto é livre, enfim, que façamos sim uma grande revolução ganhando adesões, não cadáveres.
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15h13min. - adelsonpimenta@ig.com.br
