terça-feira, 15 de outubro de 2013

SAADI: BASEADO EM FATOS REAIS

Conversei - via fone - há pouco com o amigo Leandro Saadi, que é piloto de paramotor - profissão pela qual se especializou em fotografias aéreas de altíssima qualidade, com larga bagagem em trabalhos de monitoramento fotográfico aéreo, guia ambiental e serviços de guarda-parques. Saadi acaba de chegar de uma tremenda aventura, em que registrou com precisão de imagens e áudio a mais nova expedição de seu amigo Lu Marini, também reconhecido piloto de paramotor, "Rastreando a Transamazônica"que teve como objetivo sobrevoar em uma aeronave experimental a maior distância possível da Rodovia mais polêmica do Brasil, a BR 230, conhecida como Transamazônica.
A expedição teve início no dia 16 de agosto na cidade de Cabedelo - PB, onde está localizado o marco zero da rodovia. Foram 40 dias sobrevoando 7 estados e 63 municípios, em um trajeto com mais de 4.000 km, muitas histórias, encontros surpreendentes e imagens espetaculares, conforme relata Lu Marini. Depois de passar pelos estados da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas, Lu Marini fez seu último pouso na cidade de Lábrea, pequeno município localizado as margens do rio Purus e onde termina a Transamazônica. Para a realização desse grande projeto foram 10 meses de planejamento, com estudo de rota, plano de vôo, situações de resgate, meteorologia, envolvendo mais de 10 profissionais. 

Desculpados os cortes necessários nas edições, de algum modo foi possível ver as coisas pelas lentes do programa Fantástico - da TV Globo. Mas, eu os convido ao site onde há maior riqueza de detalhes dessa expedição impressionante que deverá, se de depender da vontade de Leandro e Marini, se transformar num documentário e num livro, com os resultados desse trabalho.
Acesse aqui: aventurafantastica 

Além do registro desse grande achado de nossa história e geografia nacional, Leandro me contou que acaba de aprovar, pela Lei Rouanet, o projeto de um livro fotográfico sobre São Sebastião, cidade do Litoral Norte de São Paulo, com foco nas áreas ambientais, já publicado no Diário Oficial. Agora, está em fase de estabelecer parcerias com empresas que apostem no projeto. Pela lei, a empresa que investir terá 4% de abatimento sobre o seu percentual total de desconto de Imposto de Renda de sua empresa, ou seja, da integralidade de seu desconto, 4% será pelo incentivo ao livro. Esse é o estímulo que a lei dá aos empresários. Os custos estão estimados em R$ 318 mil, que envolve tiragem , produção e impressão, divulgação e eventos de lançamento e publicidade do material. 

Neste livro, Saadi quer mostrar um lado de São Sebastião que é menos conhecido do público,  o preservado de mata, demonstrando que as belezas naturais da cidade vão além das praias - e que podem ser exploradas sem depredações, mas, acima de tudo, o arquivo fotográfico serve de alerta para que as autoridades façam gestão de preservação desses lugares. Diversas atividades de turismo e pesquisas podem ser executadas nesses lugares, de maneira que a cidade só tem a ganhar com este livro. Saadi tem fotos exclusivas e conhecimento prático da região, de maneira que os interessados na preservação desses recursos e belezas naturais ganharão muito com este registro.

Para quem quiser conversar um pouco mais com Leandro e conhecer o projeto, destaco que o livro conterá o(s) nome(s) da(s) empresa(s) que se tornar(em) parceira(s) na viabilização desse grande projeto de conteúdo fotográfico, com 30% narrativo, o que conferirá um valor agregado interessante de responsabilidade social e sustentabilidade à sua marca. 

Os contatos de Leandro são:
E-mail: leandrosaadi@gmail.com
Fone: (12) 7812-5825  /  Id: 90*18734
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15h08min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

POR QUE PAGAMOS MAIS CARO NO BRASIL?

Artigo da revista 'Época'
Autor: Ricardo Amorim


A diferença de preços do Brasil com o resto do mundo é impressionante. Do restaurante aos eletrônicos, quase tudo é mais caro aqui.

Razões não faltam, começando pelos impostos. Uma das cargas tributárias mais elevadas do planeta, particularmente concentrada sobre consumo e produção, encarece tudo que é feito e comprado aqui.

Impostos não explicam todas as distorções. Também as margens de lucros são mais elevadas. A esquerda culpa a ganância dos empresários pelas gordas margens. A explicação está equivocada. Sim, empresários querem cobrar mais por seus produtos e serviços. Se você pudesse dobrar seu salário, não dobraria?

A pergunta é: por que conseguem cobrar mais aqui? Por que aceitamos pagar mais? Apesar dos avanços desde 1994, adistribuição de renda no Brasil ainda é das piores. Grande concentração gera uma valorização de status nas compras. Demarcam-se as diferenças através do consumo, mesmo que para isso tenha-se que pagar mais. Comprar determinado carro, celular ou iogurte “separa” seus consumidores das classes sociais “abaixo” deles.

A explicação mais importante, porém, não é esta. A baixa competição, a dificuldade de se fazer negócio e o risco mais elevado da atividade empresarial pesam mais.

Burocracia absurda, corrupção, carga tributária elevada, regime tributário complexo, infraestrutura ruim,mão de obra cara e despreparada dificultam a vida das empresas, aumentando o risco de seus investimentos. Com risco maior, empresários reduzem investimentos e, por consequência, a competição. Com menos competição, inclusive com importados – o Brasil é o país com menor taxa de importação de produtos e serviços no planeta – é possível subir preços e aumentar margens de lucro.

Nos últimos anos, as margens no país caíram. Em muitos setores, empresas não conseguiam repassar integralmente aumentos de custos de mão de obra e matéria primas aos preços porque uma competição crescente não permitiu.

A competição aumentou porque a crise no mundo desenvolvido estimulou as empresas a buscarem os grandes mercados emergentes. Somou-se a isso um forte crescimento do consumo no país impulsionado pelo aumento da renda e do crédito. Com mercado maior, cresceram os investimentos produtivos e a competição, reduzindo as margens de lucro. Até aí, ótimo.

Acontece que nos últimos trimestres, tal movimento se reverteu. Desvalorizar o Real encareceu importações, inclusive de máquinas e equipamentos, diminuindo a competição e reduzindo investimentos no país.

Além disso, ao atacar bancos e empresas de energia elétrica para reduzir rapidamente suas margens de lucro, o governo aumentou o risco dos negócios nesses e em outros setores, que temem medidas semelhantes. Com rentabilidade menor e riscos maiores, investimentos caíram, o que, através da redução da competição, vai aumentar margens de lucros e encarecer preços nos próximos anos. Em economia, às vezes os resultados são o inverso das intenções.

Antes de usar os bancos estatais para pressionar os demais a reduzirem juros – um objetivo louvável, buscado de forma ineficiente – a lucratividade média do setor bancário brasileiro era a segunda mais baixa das Américas, atrás apenas dos EUA, ao contrário do que supõe a maioria. Venezuela e Argentina, onde os governos mais “perseguem” bancos, eram os países com os bancos mais lucrativos.

Para reduzir margens e preços, o governo precisa eliminar a burocracia, simplificar a legislação, estimular a competição, evitar o protecionismo, reduzir impostos, inclusive sobre importados e incentivar investimentos. O benefício será dos consumidores.

Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.
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SIGILO FISCAL?

Autor: Sivio Caccia Bava


Quem ficou sabendo que o governo federal abriu mão de cobrar R$ 1 trilhão de impostos lançados na dívida ativa da União, devidos principalmente por grandes empresas, públicas e privadas?

Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a provisão, em 2013, para perdas lançada na dívida ativa da União é de R$ 966.413.275.095,20, quase R$ 1 trilhão. E a dívida ativa da União, em setembro deste ano, totalizava R$ 1,35 trilhão. Considerar mais de 70% da dívida impagável é uma mudança radical de postura que vem de 2012. As provisões para perdas em 2008 não ultrapassavam 10% do total da dívida ativa.1

Mesmo reconhecendo falhas no sistema, apontadas por auditoria da Controladoria Geral da União, o que ressalta no relatório da CGU é que todos os órgãos envolvidos – Receita Federal, Ministério do Trabalho, Secretaria do Patrimônio da União – também são responsáveis pelas falhas identificadas e, mais grave, deixam o sistema vulnerável a fraudes.2

Quem decidiu que há devedores que não podem pagar? Que devedores se beneficiam dessa nova política? Isso foi decidido nos meandros burocráticos do governo, longe do debate público. Em nome de uma legislação que defende o sigilo fiscal das empresas, os principais devedores da União são mantidos no anonimato, protegidos por uma atitude do governo que ultrapassa em muito o que a legislação define. O centro da questão é a democracia. Por mais bem-intencionado que seja, não pode ser um grupo de técnicos que decida abrir mão da cobrança de R$ 1 trilhão.

Um trilhão de reais é muita coisa. Dá para transformar a vida dos brasileiros. Dá para melhorar muito a infraestrutura urbana para uma boa vida nas cidades. O jornal Valor Econômico estima que as demandas das ruas exijam investimentos de R$ 115 bilhões por ano.3

Essa mesma postura de assegurar o sigilo fiscal para preservar a imagem das empresas que são devedoras de impostos é assumida também pela Prefeitura Municipal de São Paulo, que se recusa a informar quais são as vinte empresas com os maiores débitos de impostos municipais. A dívida ativa do município é de R$ 55 bilhões.

Como conselheiro da cidade, solicitei essas informações e a resposta da Secretaria de Finanças foi de que os dados das empresas não são passados porque são protegidos pelo sigilo fiscal. E isso é mantido mesmo com a nova lei de acesso à informação. Os nomes das empresas são protegidos.

Consultei escritórios renomados de advocacia, que me esclareceram: depois da condenação da dívida, não há mais sigilo fiscal. A Secretaria de Finanças do município de São Paulo, assim como os órgãos federais responsáveis pela dívida ativa da União exorbitam ao negar essas informações. As execuções fiscais são públicas. Por isso, ainda que exista sigilo na fase administrativa, na fase judicial já não se fala em sigilo.

Durante décadas foi construída uma institucionalidade feita para separar a economia da política. A autonomia do Banco Central é a joia da coroa. A economia é dirigida para alavancar a acumulação e beneficiar especialmente os grandes bancos. A política serve para administrar as pressões sociais e garantir o status quo.

Nos últimos anos, a sonegação de impostos só vem crescendo. E a impunidade favorece esse comportamento. Hoje temos uma carga tributária de 35% do PIB, e especialistas dizem que, se não houvesse sonegação, poderíamos baixá-la para 20% e ainda haveria superávit.

Inverter essa lógica é o grande desafio. Para priorizar o interesse público sobre os interesses do mercado, a economia deve se submeter ao planejamento e ao controle democrático. E o governo deve cobrar das empresas os impostos devidos. Eles são creches, escolas, salários melhores para os professores, melhores transportes coletivos e muito mais.

A disputa é para revigorar as instituições democráticas. É para ampliá-las, acolher novos atores e criar novas instâncias de participação cidadã e controle social, inclusive sobre as finanças públicas. Os nomes das empresas sonegadoras, assim como a natureza e o montante de seus débitos com o poder público, devem ser de conhecimento de todos. Os governos eleitos são responsáveis por assegurar essa postura de transparência.

Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
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